08 de julho de 2026
Articulistas

A paz esteja convosco!


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Acordam hoje as cidades sentindo a brisa anunciadora da comemoração de Corpus Christi, suscitada para lembrar anualmente o aniversário da instituição da Eucaristia (corpo e sangue de Jesus representados por pão e vinho). Encontram as ruas, por isso, carinhosamente enfeitadas com vários adornos, notadamente flores de quase todos os tipos. Diz a poesia que “as rosas não falam, simplesmente exalam perfume” e é exatamente essa a missão delas neste dia da evocação que a memória do Filho de Deus suscitou e, em 1.264, o Papa Urbano IV universalizou para ser celebrado perenemente na quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. Aí estão milhares de exemplares rosáceos, sadios e bonitos, estendidos no solo generoso das urbes, que seria como aquele sobre o qual Jesus andou, carregando sua pesada cruz, sem que penalizasse uma só das pétalas, acompanhado filialmente por seus discípulos e fiéis, convictos de que o dramático percurso se tornaria santo a partir daquele momento. Fiéis à sua destinação evangélica, as flores desta manhã perfumam também o trajeto no qual estão andando, no mundo todo, as piedosas procissões do Santíssimo.

Mais que uma simples lembrança, temos hoje uma tradição imortal, imperecível, tendo-se em vista tudo quanto Corpus Christi tem de representativo para a humanidade. Na verdade, o que são as flores, que não falam mas emitem perfumes, na existência dos seres humanos, a não ser exponentes da paz e da harmonia insistentemente pregados pela bondade divina, juntamente com o respeito pessoal que, infelizmente, é ignorado pela violência social dos nossos dias, marcados por crimes de todas as ordens? Então, a consideração que se concede a tão expressiva data traz a esperança de que a perpetuidade das evocações cristãs que hoje se fazem possa resultar, certo dia, na formação de um mundo destituído de qualquer espécie de terror, no qual todos venham a ouvir, novamente, o clássico “a paz esteja convosco”, cristalizando o desejo universal de um incomensurável campo de felicidade! (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)