Você acorda, toma café e pega a chave do carro para sair de casa. Nessa hora, é comum carregar uma pastinha, blusa de frio e os documentos pessoais. Mas será que tais itens são suficientes para encarar o cada vez mais corrido dia-a-dia? Não é o que pensam aqueles que, em virtude das necessidades profissionais e em nome da praticidade, transformam seus veículos em extensões de seus lares.
É o caso da jornalista Sandra Faria Firmino, que não sai de sua residência sem carregar uma verdadeira “mudança”. À primeira vista, uma rápida olhada nos bancos traseiros já é suficiente para se ter uma idéia da decoração da “casa”.
É neles que a profissional da mídia leva seu inseparável blazer preto, perfeito para a participação em eventos sociais e proteção contra o frio, e duas malas lotadas até a "boca" de fitas de vídeo e livros, materiais utilizados nas aulas ministradas a seus alunos em uma universidade.
Mas é no porta-malas onde Sandra acomoda “quase” tudo. Em seu interior, a jornalista acondiciona uma lista inacreditável de acessórios e objetos: estojo de ferramentas, galão e mangueira de combustível, toalhas, sombrinha, botas de borracha e uma quantidade enorme de sacolas que carregam “coisas que ela não vive sem”, conforme suas próprias palavras.
Entre elas, Sandra cita o carregador de celular, caixa de disquetes, kit básico de primeiros socorros e uma necessaire. “Se esquecê-los em casa não tem jeito. Tenho de voltar para buscá-los”, afirma a jornalista.
Já sua necessaire é uma atração à parte. Além de materiais para maquiagem, como batom, possui estojo com linha e agulha, alicate para tirar cutículas, fita métrica e um kit de primeiros socorros composto, entre outros, por cotonetes, curativos, comprimidos para dor de cabeça e remédios para o estômago. “As únicas coisas que não me preocupo são alimentos. Levo, no máximo, uma garrafa de água”, conta.
Sandra conta que levar tantas bugigangas - só o “necessário”, segundo ela, não é exagero. “Saio às sete da manhã e só volto entre 23 horas e meia-noite. Como praticamente só durmo em casa, tenho de ter tudo à mão em nome da praticidade”, ressalta ela.
A jornalista explica que tudo só sai do veículo na hora da limpeza, tarefa que lhe consome, pelo menos, um fim de semana inteiro. A “bagagem” lhe acompanha até mesmo nos passeios com amigos ou a família. “É melhor prevenir”, diz Sandra.
E, por incrível que pareça, ela ainda arranja espaço para dar carona de vez em quando. Mas isso é possível? “É igual coração de mãe. Sempre cabe mais um e dou um jeito”, garante.
Admiradores e sonhos
Tamanha prevenção e cuidado contra os imprevistos renderam admiradores a Sandra. O principal deles é o marido, que adotou seu esquema “prático” de vida. “Antes ele questionava a quantidade de coisas que levava no carro e não se preocupava em ter esse hábito. Hoje já carrega no automóvel dele caixa com comprimidos, toalha e um estojo com pasta de dente, perfume e sabonete”, revela a jornalista.
Ela afirma que sempre foi extremamente organizada e, apesar da quantidade de bagagem guardada em seu automóvel, detesta bagunça. “Me dá arrepios”, diz. Outra preocupação é o medo de ter o veículo roubado e, conseqüentemente, suas “tralhas”. “Só o deixo em estacionamentos. É o único jeito de ficar mais aliviada”, considera Sandra.
Apesar disso, há uma coisa capaz de lhe incomodar tanto quanto a desorganização e a possibilidade da ação de ladrões: a “falta” de algo no carro. “Fico chateada se alguém me pede qualquer coisa e não tenho”, confessa a jornalista. Por isso, ela está sempre pensando em novas “aquisições” para o interior do veículo. “Se pudesse, teria mais roupas e livros”, planeja.
Mas para carregar tantos objetos e materiais no automóvel não seria melhor uma caminhonete? Não é o que a jornalista pensa. “Apesar de meus amigos me falarem que precisava de uma para carregar tudo que necessito, meu carro dos sonhos não é grande. Uma Parati já resolveria”, finaliza Sandra.
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Só o 'necessário'
O advogado bauruense Maurício Araújo dos Reis, mais conhecido por Téo, é outro que leva de tudo em seu Fiesta. No porta-malas do “carrinho” ele carrega uma caixa de ferramentas e, principalmente, materiais esportivos, como pares de tênis, agasalhos, sungas e shorts, necessários para as partidas de biribol e basquete com os amigos durante a semana.
Ele conta que adotou o hábito cerca de um ano após se casar, pois percebeu que as idas e vindas de sua residência não compensavam. “Deixava as coisas em casa, mas gastava muito tempo e dinheiro com combustível. Por isso, mesmo sendo um pouco desconfortável, comecei a levar no veículo”, diz ele. Além disso, acrescenta Téo, foi a forma mais prática que ele encontrou para deixar a vida sedentária de lado.
O advogado foi jogador de basquete dos 12 aos 21 anos, período em que competiu representando a Associação Luso Brasileira de Bauru, mas deixou a atividade para se dedicar aos estudos. “Se fosse para sair do trabalho e ter de pegar tudo em casa, ou daria preguiça ou a mulher inventaria algo para fazer, como ir ao supermercado. Por isso, já deixo tudo no automóvel”, afirma Téo, rindo.
Desta forma, ele considera que seu veículo funciona realmente como uma extensão de sua casa. Segundo o advogado, as roupas e calçados só saem do porta-malas, para alívio de sua esposa, para ir direto à lavanderia. “Minha mulher, que não tem esse hábito, dá graças a Deus por eu não as deixar sujas na residência para ela lavar”, afirma o advogado.
Téo conta, ainda, que prefere perder uma hora arrumando as “tranqueiras” no carro a ter de ir e voltar toda hora para casa a fim de pegá-las. “É mais prático”, considera. A situação só complica um pouco quando ele tem de pegar os “pimpolhos” na natação. “Tem de fazer mágica para acomodar as bóias e maiôs”, enfatiza ele.
Por isso, apesar de até precisar, Téo não quer nem saber de comprar um automóvel maior. “Meu medo é adquirir um e aí sim ele virar um guarda-roupa de vez”, conclui o advogado.