08 de julho de 2026
Cultura

Lenda viva

Por Da Redação | com Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

A cantora e pesquisadora do folclore Inezita Barroso relembra grandes sucessos da música sertaneja na sua carreira - que fazem parte dos seus mais de 70 discos gravados, entre LPs e CDs -, hoje, às 22h, durante a Festa Junina do Serviço Social do Comércio (Sesc).

No repertório do show, intitulado “Conversa Fiada”, estão, entre outras, músicas como “Luar do Sertão”, “Moda da Pinga”, “Menino da Porteira” e “Bonde Camarão”.

Por meio dessas apresentações, Barroso procura promover e estimular o interesse pela música caipira, para garantir a preservação do estilo nas novas gerações.

A cantora também conta com apresentações previstas para cidades mineiras, Brasília e outras regiões do País. Em sua turnê, Barroso se apresenta ao lado do músico Robertinho do Acordeon. De acordo com a produção da cantora, a proposta do trabalho é priorizar, além do cancioneiro nacional de raiz, as apresentações no Brasil.

Carreira

Paulistana, Barroso estudou canto, piano e violão na infância, mas só estreou profissionalmente em 1950, na Rádio Bandeirantes.

Considerada um verdadeiro patrimônio nacional, a cantora é uma lenda viva em plena atividade. Dona de uma voz poderosa, gravou mais de 70 de discos, sempre fiel ao estilo sertanejo, que na década de 50 a fez ganhar prêmios de melhor cantora de rádio.

O interesse pela música surgiu na infância, quando Barroso pediu aos caipiras que viviam nas fazendas de sua família que lhe ensinassem a tocar viola - o primeiro dos vários instrumentos que dominaria. Apesar dos preconceitos de sua época, nunca desistiu do sonho de ser cantora e tocadora de viola. O marido foi um grande apoio e em 1953, ela estourou com “A Moda da Pinga”.

“Minha avó paterna tinha voz idêntica à minha, de contralto, e cantava ópera, que era o gênero bonito no tempo dela. Ela chegou a cantar em teatro, mas meu avô morria de ciúmes dela”, conta Barroso.

A cantora lembra com detalhes da época em que sua avó começou a tocar piano. “Um dia, ela já estava com tudo ensaiado para se apresentar num concerto beneficente, o teatro estava cheio e meu avô virou-se para ela e disse: ‘Você não vai porque está muito bonita e bem vestida’. E ela respondeu: ‘Está bem eu não vou, mas você também nunca mais vai me ouvir cantar nem tocar piano’”.

Barroso traduz a emoção vivida por ela ao ouvir sua avó tocar: “Meu avô acabou morrendo sem ouvi-la cantar ou tocar. Depois disso, a família veio do Pará para Ubatuba, no litoral paulista. E o piano veio junto. Eu devia ter meus 12, 13 anos. Quando ela cantou, fiquei muito emocionada, com os olhos cheios de lágrimas”, confessa.

Barroso atuou em sete filmes, trabalhou na Rádio Nacional de São Paulo e na Rede Record e há 20 anos apresenta o programa Viola, Minha Viola, na TV Cultura. Ela é também a principal divulgadora da música regional brasileira. O álbum mais recente da cantora é “Hoje Lembrando”, que acaba de ser lançado.

Mas além de se dedicar à música e às aulas que ministra em uma universidade de São Paulo, Barroso produz documentários e programas de televisão, viajando por diversas partes do país e do exterior com seu repertório folclórico, que aborda a música e os trabalhos de pesquisa.

• Serviço

Show de Inezita Barroso hoje, às 22h, no Sesc. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 235-1750.