08 de julho de 2026
Geral

Partos normais prevalecem no SUS

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto 90% das gestantes atendidas na rede privada de saúde optaram pelo parto cesareano no ano passado, apenas 34% das grávidas que buscaram o Sistema Único de Saúde (SUS) fizeram a cirurgia para ter o bebê. A maioria das mulheres assistidas pelas unidades básicas de saúde fez o parto normal.

Os números destoantes foram informados pela Maternidade Santa Isabel e confirmados pelos médicos ouvidos pelo JC, que de forma unânime, apontaram o Programa de Parto Humanizado do Ministério da Saúde e a questão cultural como os grandes responsáveis pelas realidades divergentes.

O Programa de Humanização do Pré-Natal e do Nascimento, implementado na região de Bauru em 2001, estabelece aos hospitais que atendem pelo SUS metas para a realização de cesáreas. Neste ano, o total não deve ultrapassar 30%. O programa também prevê uma recompensa financeira para cada gestante que realizar o pré-natal completo e fizer o parto normal.

De acordo com a médica sanitarista da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Tisuko Cinto Rinaldi, as medidas fazem parte de uma estratégia do governo federal para melhorar a assistência pré-natal e assim reduzir o total de mortes materna e infantil.

“O objetivo é aumentar a cobertura pré-natal através de consultas. O município também recebe um incentivo financeiro para cada gestante que concluir o acompanhamento”, explica.

Segundo ela, as mulheres devem passar por seis consultas e seis exames básicos - para a detecção de sífilis, anemia, aids e diabetes, além de tipagem sangüínea. Cumpridas as etapas, o município recebe R$ 50,00 por paciente. Já a instituição hospitalar recebe R$ 40,00 de repasse por parto, como bonificação.

A tabela do SUS paga R$ 300,00 pelo parto normal sem o benefício. Já o repasse por cesárea é de R$ 440,00.

“O que o SUS paga melhorou, mas ainda está longe do ideal. Nos últimos três anos, a meta de cesáreas baixou de 40% para 30%”, informa o diretor clínico da Maternidade Santa Isabel, César Augusto da Silva. Embora o total de cirurgias da maternidade esteja um pouco acima do estabelecido pelo Ministério da Saúde, para ele a situação está sob controle.

“Como a Maternidade de Bauru é referência na região, recebe muitas pacientes com gestação de alto risco que exige cesárea. Também resolvemos os casos de recém-nascidos encaminhados à unidade de tratamento intensivo (UTI) neonatal. Por essa razão, estamos muito bem”, argumenta.

A tranqüilidade do diretor clínico está fundamentada no acompanhamento realizado pela DIR-10, que também considera o número de cesáreas realizadas pela maternidade como dentro da normalidade.

7o no ranking

A região de Bauru está em sétima colocada no ranking das 12 regiões com os melhores indicadores da saúde da mulher do Estado de São Paulo. O levantamento foi elaborado pela Secretaria Estadual da Saúde. A região de Presidente Prudente pegou a primeira colocação e a cidade de São Paulo ficou com a pior.

As regiões, separadas seguindo as divisões das Diretorias Regionais de Saúde (DIRs), foram avaliadas através dos seguintes dados: taxa de cesárea, mortalidade materna, baixo peso ao nascer, mortalidade neonatal precoce (óbito antes de sete dias de vida) e incidência de sífilis congênita.

Todos os números que compuseram o estudo são porcentagens obtidas entre 1996 e 2000, apenas o coeficiente de incidência de sífilis congênita foi obtido no período entre 1998 e 2001.

“A mortalidade materna ficou num patamar inicial aceitável de 28,8 mortes em 100 mil nascidos vivos em 2002. A equação é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e serve como norteadora para uma política geral de saúde da mulher. O índice de mortalidade estabelecido para 2002 foi de 35 mortes por 100 mil nascidos vivos”, explica a médica sanitarista da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Tisuko Cinto Rinaldi.

De acordo com ela, se o ranking da região fosse mais recente, o desempenho de Bauru seria melhor. O levantamento foi divulgado no dia 28 de maio, quando é comemorado o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Mortalidade Materna.

Taxas altas de cesárea e mortalidade materna podem demonstrar problemas na assistência ao parto. Índices altos de pouco peso ao nascer, mortalidade neonatal e sífilis congênita podem indicar falhas nos serviços de pré-natal, informa a Secretaria Estadual da Saúde.