08 de julho de 2026
Regional

Falta recurso para tratar efluentes

Por Marcos Crivellaro | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina - O projeto do sistema de tratamento de efluentes (resíduos líquidos) das indústrias coureiras de Bocaina (69 quilômetros a Nordeste de Bauru) já foi finalizado, mas o início da obra deve demorar ainda mais alguns dias, na melhor das hipóteses. A previsão é de Fauzer José Saffi, presidente da Associação das Indústrias de Couro, Fabricantes de Artefatos e Afins (Associcouros).

Segundo ele, o investimento é interesse das indústrias de couro da cidade. Pelo menos 20 curtumes se uniram para implantar a benfeitoria. Porém, os últimos gastos com a transporte da massa passiva da raspa de couro, cerca de oito toneladas do material, descapitalizaram as empresas e acabaram adiando a construção do sistema de tratamento de efluentes.

O material líquido produzido atualmente pelas indústrias locais não tem nenhum tipo de tratamento, segue direto para o sistema de captação de esgoto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Durante os meses de abril e maio, foram gastos aproximadamente R$ 600 mil com aluguéis de caminhões e pagamento de serviços de uma empresa especializada de Paulínia, para onde se destinou a raspa que estava acumulada.

A construção do sistema de tratamento de efluentes é orçada em R$ 250 mil. O projeto inclusive já conta com terreno próprio, no distrito industrial, doado pela prefeitura.

Fauzer avalia que a obra em si não é complexa e nem cara. “Os tanques não são o problema, uma vez que são alvenarias. As máquinas que irão decantar o material é que são caras.”

O projeto foi desenvolvido a um custo de R$ 35 mil pela Esa Engenharia, empresa de saneamento ambiental de São Carlos, e foi concluído em meados de janeiro. A Associcouros fez o pagamento do projeto em parcelas.

Projeto

Segundo o professor da Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, Benedito Aparecido dos Santos, responsável pelo projeto, o sistema terá capacidade para tratar 250 metros cúbicos por dia do material, sendo que o volume diário de efluentes gerado pelas empresas do setor no município é estimado pela Associcouros em cerca de 210 metros cúbicos (m3).

O diretor do departamento de efluentes da Associcouros, José Antônio Rossi Júnior, disse que a entidade obteve junto a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) um prazo de dois anos para a implantação do projeto.

Ele explicou, no entanto, que o ideal seria que o sistema de tratamento entrasse em operação até o final deste ano. A obtenção do terreno junto à prefeitura foi considerado uma etapa importante para se atingir esse objetivo.

Outra tentativa, que ainda parece longe de se concretizar, é conseguir uma linha de crédito junto aos governos estadual e federal ou junto aos bancos privados, para a construção do sistema.

A diretoria da Associcouros e a prefeitura estariam estudando essa possibilidade, mas ao que tudo indica somente alguns curtumes estariam dispostos a tocar o projeto adiante.

Uma possível linha de crédito, acredita Fauzer, possibilitaria a conclusão da obra em seis meses. Para a associação, o ideal seria dispor de algum tipo de financiamento que pudesse ser quitado no prazo de cinco anos.

Investimento

Os curtumes que participam do grupo disposto a implantar o novo sistema, além de contribuir mensalmente com a entidade com R$ 25,00 estarão pagando entre R$ 150,00 e R$ 250,00 mensais para o encaminhamento de seus efluentes para o tratamento. O valor deverá variar de acordo com o volume de material gerado em cada indústria.

De acordo com a Associcouros, a carga diária de efluentes gerada pelas empresas que já se associaram ao projeto estaria em torno de 182 m3, ou seja, 63 m3 abaixo da capacidade de tratamento projetada pela Esa Engenharia para o sistema que será implantado em Bocaina.

A entidade informou que já existe previsão para a ampliação do sistema a medida que for aumentando o número de empresas interessadas em se associar ao projeto. (Colaborou Plínio Teixeira Júnior, do Jornal da Cidade de Bocaina)