08 de julho de 2026
Geral

Pesquisa da USC detecta estresse em adolescentes

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Adolescentes de 15 anos de idade, alunos de escolas públicas e privadas de ambos os sexos, estão estressados. O estresse resulta em baixa auto-estima e é uma porta aberta para um quadro depressivo que sugere o uso de drogas. Estas são algumas das constatações de uma pesquisa desenvolvida por estagiários de psicologia da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Coordenada pelos professores do curso de psicologia Regina Furigo, Ester Petroni e Marcelo Mendes, a pesquisa envolveu alunos do último ano do curso. Embora não tabulada, o levantamento possibilitou um diagnóstico do combate às drogas no município e vai direcionar um novo trabalho preventivo.

“Ações Efetivas: Prevenção ao Uso de Substâncias Psicoativas” será o tema de uma mesa-redonda que reunirá hoje, a partir das 19h30, o Departamento de Psicologia da USC, Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) e Diretoria de Ensino de Bauru. O encontro será no anfiteatro 011 da universidade.

A pesquisa que direciona o trabalho preventivo nasceu de uma constatação feita na clínica-escola da USC, conforme enfatiza a professora Regina Furigo. “Na clínica-escola, recebemos um contingente muito grande de jovens que são encaminhados pela escola através de nossas estagiárias. Suspeitamos que algo diferente estava ocorrendo e resolvemos pesquisar.”

Para que os dados fossem significativos, foram escolhidas sete escolas públicas, quatro particulares e 500 alunos de 15 anos, de ambos os sexos. “O público-alvo foram os garotos de 15 anos, porque eles estão no início da adolescência”, observa Regina.

Para detectar o nível de estresse dos estudantes adolescentes foram utilizados dois instrumentos: o inventário de sintomas de estresse e o inventário de vida, conforme explica Regina. “O inventário de sintomas de estresse mede o que se propõe. Ele é de autoria de uma professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e foi padronizado e testado estatisticamente.”

O sigilo absoluto de quem colaborou com a pesquisa é garantido, e a professora Regina Furigo espera que as respostas estejam o mais próximo possível da realidade vivida pelos adolescentes bauruenses. “Eles responderam a uma série de perguntas, algumas sobre a situação familiar. Nossa intenção era detectar se estavam estressados e em que nível estava o estresse.”

A idéia, segundo Regina, era saber o grau das dificuldades encontradas pelo adolescente na vida cotidiana. “Queríamos saber o quanto ele suporta de carga emocional sem que desenvolva uma patologia. A partir disso, detectamos que a população alvo está estressada num nível preocupante.”

Segundo ela, o público adolescente, de forma geral, está com um nível de estresse somente encontrado na população adulta que sofre com outras preocupações. “Nessa faixa etária, eles deveriam estar preocupados com o estudo e com a escolha de um parceiro afetivo. No entanto, detectamos que eles têm taxas de estresse semelhantes às dos adultos preocupados com o sustento da família”, diz Regina Furigo.

Sinal de alerta

O sinal de alerta sustentado pela pesquisa despertou as especialistas para um dado ainda mais grave. “Não existe pesquisa anterior no Brasil com esse público-alvo, mas a literatura mundial nos indica que é preciso um trabalho preventivo, uma intervenção direcionada à população de risco para evitar o quadro depressivo e o uso de drogas”, aponta a professora.

A relação entre estresse e uso de drogas acontece, segundo Regina, como uma fuga para aqueles que não suportam a carga emocional. “O adolescente estressado está muito próximo do quadro depressivo. A auto-estima rebaixada aliada a um quadro depressivo pode sugerir o uso de drogas. Esta é a nossa maior preocupação.”

Os dados incentivaram a equipe a agir e a intervir nas escolas públicas e privadas, no sentido de prevenir uma situação mais séria. “É mais fácil evitar o primeiro contato do que tentar afastar o adolescente do vício.”

A força-tarefa, de acordo com Regina, tem início hoje, com a mesa-redonda. “Unimos a psicologia escolar com a clínica para agir nas escolas. Vamos enviar estagiários do 5.º ano para fazer esse trabalho, que será supervisionado semanalmente por professores. Para isso, foi criado o núcleo de Supervisões Integradas Escola-Clínica (Siec).”

O Siec oferece aos universitários suporte e capacitação para atuarem junto às escolas e, também, na aplicação de novos modelos de intervenção de combate às drogas, segundo a professora. “A idéia é ajudar a população e conscientizar quanto à importância da análise de cada um, independentemente dos fatores sociais e familiares.”