09 de julho de 2026
Geral

Moradores acionam uma ONG para evitar possível gaticídio

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

A morte de dois gatos ocorrida ontem levou moradores do bairro Bela Vista a acionar uma Organização Não-Governamental (ONG) - a Naturae Vitae - temendo um novo gaticídio (ação de matar gatos). Há cerca de um ano, duas moradoras do bairro sofreram com a morte de vários felinos de estimação que mantinham em suas residências.

Na época, as donas de casa Ivone Maria de Oliveira e Néli do Nascimento Ferraz perderam, respectivamente, cinco e quatro animais por envenenamento, causa que teria sido comprovada, segundo elas, por um veterinário.

Ontem, o alvo foi um casal de felinos, sendo um da própria Néli - que reside na quadra 1 da rua 12 de Outubro - e o outro de uma vizinha chamada Sueli. A suspeita, a exemplo do ano passado, é de que os gatos tenham sido novamente envenenados.

“Tudo indica para isso, pois eles estavam durinhos quando os encontrei, do mesmo jeito que os que morreram no ano passado”, afirma Néli, uma das primeiras pessoas a vê-los mortos.

Com a suposta repetição da ocorrência, as moradoras, que criam mais de uma dezena de animais, temem o início de um novo gaticídio no bairro. “A gente cuida deles com tanto carinho e são todos castrados. Qual a razão de fazer isso com os bichinhos?”, questiona Néli, revoltada, que juntamente com Sueli registrou boletim de ocorrência.

Inconformada com o episódio, uma filha de Néli, a assistente social Denise Cristina do Nascimento Ferraz Aguilera, ligou para a Naturae Vitae, ONG criada há menos de um ano em Bauru com a finalidade de pregar o respeito ao meio ambiente. “Quem faz isso com um animal é tão assassino como os que matam pessoas”, diz ela.

O advogado da ONG, João Hermann, ressalta que a prática de maus-tratos aos animais é crime previsto na lei federal 9.605, o Código Nacional do Meio Ambiente. Ele explica que o artigo 32 prevê pena de detenção de três meses a um ano e, ainda, o pagamento de multa. “A penalidade aumenta se ocorrer morte”, acrescenta.

O advogado conta que a Naturae Vitae já vem atuando em casos do gênero contra animais. “Remetemos as provas levantadas ao Ministério Público para que os responsáveis sejam punidos”, relata Hermann. E exemplifica: “Após recebermos denúncias de um carroceiro que maltratava seu cavalo e reunirmos as evidências, encaminhamos àquele órgão.”

Ele enfatiza que, se o envenenamento no Bela Vista se confirmar, a organização irá tomar igual providência. Mas para a Justiça, é imprescindível a elaboração do boletim de ocorrência, segundo destaca Hermann. “Além de facilitar a busca pelas provas e o esclarecimento dos casos, ele é a garantia dos direitos das vítimas.”

Para Hermann, quem mata um animal, “indefeso por natureza” conforme diz o advogado, é capaz de fazer o mesmo a uma pessoa. “Por essa razão, as pessoas não devem deixar de comunicar à polícia as agressões e maus-tratos”, enfatiza.

A ONG Naturae Vitae coloca-se à disposição para o recebimento de denúncias de maus-tratos a animais. Para isso, basta ligar para (14) 212-3232 ou acessar - futuramente, pois ainda está em construção - o site www.naturaevitae.hpg.com.br.