09 de julho de 2026
Geral

Maioria dos pais de alunos da Apae repudia a inclusão

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A maioria dos pais de alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru que se reuniram ontem na entidade decidiu enviar um telegrama de repúdio à procuradora da República Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, que propôs a inclusão de todos os portadores de deficiência em escolas regulares a partir de 2005. Um abaixo-assinado também está sendo elaborado pela direção da Apae de Bauru e pais de alunos para demonstrar a insatisfação com a proposta.

Porém, há pais favoráveis à inclusão. A reunião convocada pela Apae para discutir a proposta foi um festival de discursos emotivos e muitos pais e mães discutiram o assunto de maneira genérica.

A passeata em protesto à proposta, sugerida por alguns pais, não foi aceita pela maioria dos presentes à reunião sob a alegação de que a Federação Nacional das Apaes garantiu que não vai assinar o termo de compromisso com a procuradora antes de discutir amplamente o assunto.

A proposta da procuradora da República é a inclusão dos portadores de deficiência nas escolas regulares, sem considerar o grau de deficiência, segundo a presidente da Apae de Bauru, Olga Bicudo Tognozzi. “Eu sou a favor da inclusão, desde que seja conforme a necessidade e com respeito. Seria maravilhoso se não precisasse existir as Apaes, mas há deficientes que não têm condições de serem encaminhados para a escola regular”, afirma.

Segundo ela, na Apae o aluno é trabalhado de acordo com o seu potencial. “A inclusão nós já fazemos, desde que o aluno tenha condições. Dos 400 matriculados na Apae de Bauru, 16 foram encaminhados para a educação infantil e 23 para o ensino fundamental. Dos 23 do ensino fundamental, 11 não se adaptaram e nove estão recebendo apoio”, relata.

Benedita da Fonseca, que tem um filho de 11 anos que freqüenta a Apae desde os 8 anos, é favorável à inclusão. “Eu acho que meu filho pode ser encaminhado à escola regular. Ele não é agressivo e com o apoio da Apae poderá se sair muito bem”, opina.

Jesus Francisco Camargo tem uma neta deficiente e acredita que a convivência com crianças normais, em escola regular, contribuiria para a evolução dela. Já Roselaine Joaquim, que tem um filho de 16 anos com deficiência grave, discorda da proposta. Ela acha que seu filho não tem condições de se adaptar a uma escola regular. “Ele tem paralisia cerebral. Não anda e não fala. Como vai para a escola regular?”, questiona