Sindicalistas de Bauru ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) entregaram ontem um relatório ao gerente-executivo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) local, João Antônio Manso Ribeiro Sayão. O documento aponta “graves problemas de atendimento” que teriam sido verificados por trabalhadores que procuraram o órgão.
De acordo com o sindicalista Paulo Sérgio da Silva, da Comissão Específica sobre INSS da CUT, o relatório aponta problemas - e pede mudanças - na forma do atendimento e em como os benefícios são encaminhados. “Nós temos uma série de problemas tanto na esfera regional quanto na federal”, diz.
Assim como exposto no documento, Silva explica que as reivindicações são restritas à esfera regional. As outras questões serão encaminhadas aos representantes superiores do órgão. Segundo o sindicalista, o principal ponto da discussão refere-se à perícia médica para a concessão de benefícios. “Não estaremos negociando, mas exigindo um tratamento mais adequado e mais humano, principalmente na questão da perícia médica”, afirma.
O documento elaborado pela CUT aponta que “a perícia médica tem sido campeã de reclamações por parte dos trabalhadores”. De acordo com Silva, os sindicatos são contrários a peritos terceirizados que atendem tanto o poder público quanto as empresas.
“O que vem acontecendo, do ponto de vista desses peritos e de alguns servidores, é tentar retirar o acesso ao que o trabalhador tem direito”, declara o sindicalista. E acrescenta: “Nós temos casos mais graves, como o indeferimento, no caso das doenças ocupacionais, da caracterização da doença.”
Além das questões ligadas às doenças ocupacionais, a CUT expõe outros problemas do órgão: “predisposição para indeferimentos de aposentadorias”, demora na revisão de benefícios e recusa em protocolar pedidos.
“Cliente final”
De acordo com Sayão, gerente-executivo do órgão em Bauru, o encontro com os sindicalistas antecipa uma idéia sua de se reunir com representantes do PT local com o objetivo de se aproximar do “cliente final” do INSS, ou seja, o trabalhador. Ele assumiu a gerência do órgão há cerca de dois meses. “Existe um intuito de cooperação”, afirma.
Segundo Sayão, pontos do relatório relacionados ao atendimento local já estão sendo discutidos. “Passei orientação para o pessoal do controle de atendimento para que a gente ‘se debruce’ nesse documento e que item a item seja esgotado, para ver se há medidas gerenciais para serem tomadas por aqui”, diz.
Quanto à questão dos médicos peritos terceirizados, Sayão afirma que a permanência deles foge da alçada da gerência local. “Médicos do quadro são tão raros hoje, tão escassos, que a política é de credenciamento de médicos. Daí, eventualmente, pode haver conflitos de interesses”, declara.
Apesar do tom por vezes ríspido do relatório, Sayão diz encarar as críticas de maneira positiva. “Ficou definido um canal aberto de comunicação, para eventualmente aprofundar cada item discutido aqui”, afirma.