09 de julho de 2026
Bairros

Falta de verba impede entidade filantrópica de ampliar serviços


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Das 26 creches administradas por entidades filantrópicas com a ajuda de subsídios públicos, muitas têm espaço para aumentar o número de crianças atendidas, de acordo com Paulo Canalli, presidente da Associação das Entidades Assistenciais e Promoção Humana. Porém, a medida exigiria a contratação de mais funcionários e a aquisição de mais alimentos.

A Creche-Berçário São Francisco de Assis, que fica no Parque Santa Edwirges, é um exemplo. “Atendemos 120 crianças apesar do espaço físico ser suficiente para 150. Não podemos aumentar o número de atendidos, mesmo havendo fila de espera, porque já está difícil manter o atendimento às matriculadas hoje”, conta Márcia Louzada, coordenadora da creche.

Ela ressalta que, além de mais funcionários e comida, o aumento no número de atendidos teria reflexo nas contas de água e luz. “Tudo é dinheiro. Precisaríamos de um aumento nos recursos para atender mais 30 crianças”, frisa.

A lista de espera da creche tem, em média, de 70 a 80 nomes, de acordo com Márcia. “Quase todos os dias mães e pais procuram vagas. Algumas chegam quase a implorar, contam que precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos. Outras é porque estão passando dificuldades em casa, mas não podemos aumentar as vagas. Não vai resolver o problema se aumentar uma, duas vagas”, explica.

Apesar de também trabalhar só com estimativa da demanda reprimida, Canalli ressalta que Bauru precisa urgentemente de uma política mais voltada às crianças. “Estimamos que a demanda reprimida seja de pelo menos 3.500 crianças. A creche é um direito sagrado da criança, é o início de educação dela”, diz.

Canalli explica que além de comida, a creche oferece educação e evita que as crianças fiquem nas ruas, vulneráveis ao crime. “É redundante afirmar, mas as crianças são o nosso futuro e por isso temos que cuidar delas. Construir creches agora para não precisar erguer Febem nos próximos anos”, frisa.

O presidente da Associação das Entidades Assistenciais aprova a cobrança judicial feita pelo promotor Lucas Pimentel de Oliveira, mas acha que a Prefeitura vai viabilizar as vagas. “Lamento muito que tenha que se buscar via judicial o cumprimento de um direito sagrado das crianças. Mas quero crer que a Darlene (Martin Têndolo, nova titular da Sebes), vai antecipar o pedido da ação”, opina.

Independentemente da medida da nova secretária do Bem-Estar Social, Canalli avisa que vai solicitar ao prefeito Nilson Costa (PTB) o aumento das verbas repassadas às entidades assistenciais para tentar abrir mais vagas. “É um assunto que já está sendo estudado. Vamos pedir uma revisão dos valores”, afirma.