A aprovação do plano de safra e o anúncio da liberação de R$ 32 bilhões para o financiamento agrícola foram as melhores notícias da semana. A agricultura, por sinal, tem sido o único setor empresarial a apresentar resultados positivos nesses últimos anos de crescimento medíocre da economia brasileira. Viveu uma dura etapa nos primeiros seis anos de governo FHC, conseguindo iniciar o processo de recuperação a partir de 2000 quando se restabeleceram linhas de crédito para custeio e para o financiamento de equipamentos com a criação do Moderfrota. A resposta dos agricultores foi rápida: rompeu-se a barreira simbólica dos 100 milhões de toneladas e este ano provavelmente vamos produzir 115 milhões de toneladas de grãos, com expansão ainda modesta da área de plantio mas com significativos aumentos de produtividade.
Existe um enorme espaço para que o Brasil caminhe para tornar-se um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo. Temos 70 ou 75 milhões de hectares disponíveis e a possibilidade de novos ganhos de produtividade aproveitando o resultado das pesquisas desenvolvidas pela Embrapa com extraordinária eficiência nestes últimos anos. A tecnologia para o plantio direto é um de seus maiores sucessos. Os agricultores estão podendo restabelecer suas margens de lucro depois de um longo período de descapitalização e mostram toda a disposição de ampliar os investimentos na renovação dos equipamentos utilizados no plantio, na colheita, em irrigação, no armazenamento e em transportes.
Não pode haver, de parte do governo, a menor hesitação em manter e ampliar o suporte ao setor. Isso é válido tanto para a área de produção, quanto para todo o complexo da agroindústria, como defende corretamente o competente ministro Roberto Rodrigues. É preciso afastar alguns obstáculos do caminho: a decisão sobre o problema do plantio de sementes transgênicas não deve demorar. Sua utilização e mais o plantio direto, dão oportunidade de um acréscimo de 30% nas colheitas. Se existe o objetivo de matar a fome, este é um caminho que não pode ser desprezado.
Programas como o Moderfrota e o Pró-irriga devem ser apoiados com o maior empenho pois a participação da indústria fornecedora de equipamentos é vital para os ganhos de produtividade que estão possibilitando aos nossos agricultores abastecer o mercado interno e competir com vantagem no disputado comércio mundial. Não podemos esquecer que são as exportações de produtos agrícolas que vêm permitindo ao Brasil afastar o risco da vulnerabilidade externa construída no governo anterior. (O autor, Antonio Delfim Netto é deputado federal pelo PPB-SP, professor emérito da USP - E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br)