10 de julho de 2026
Política

Eleição municipal de 2004 está nas ruas

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O caldeirão político visando as eleições de 2004 já está quente, em processo de ebulição. Partidos e grupos políticos estão, desde já, agindo em segmentos sociais preparando o terreno para a próxima disputa. A Câmara Municipal é um dos palcos dessa movimentação. Mas é fora do prédio do Legislativo que os encontros são freqüentes e cada vez mais comuns.

Os interessados em buscar uma das 21 cadeiras na Câmara e assumir o comando da prefeitura estão se organizando desde agora por vários motivos. Um deles - e um dos mais fortes - é que a legislação eleitoral exige que os postulantes a cargos públicos estejam filiados a partidos políticos a pelo menos um ano antes da eleição. O prazo final para que todos estejam aptos a se inscrever no pleito de 2004 é setembro deste ano.

Assim, alguns grupos políticos também já se reorganizam através de novas siglas, entidades e nomes conhecidos e se juntam a outros nem tão conhecidos da maioria da população para conversar. O objetivo principal é preparar o terreno com a formação de “bons quadros” em legendas partidárias.

Sem bons nomes é muito difícil para uma legenda conseguir uma cadeira na Câmara. O fenônemo eleitoral do candidato Enéas Carneiro (Prona) não tem precedentes na história da política local. Enéas conseguiu eleger, sozinho, outros cinco deputados federais por ter obtido mais de um milhão e meio de votos no ano passado. Alguns desses deputados estão representando a população em Brasília com um resultado nas urnas que não preencheria sequer uma cadeira em municípios de 5 mil habitantes.

Em Bauru, a última eleição municipal, no ano 2000, teve um coeficiente eleitoral próximo de 7 mil votos. Ou seja, cada partido, candidato ou aliança eleitoral tinha neste número o referencial para começar as contas visando eleger seus candidatos.

Desta forma, fica fácil entender porque ocorre, desde já, grande movimentação de partidos e candidatos para uma disputa que só vai ocorrer em outubro de 2004. Outro fator de grande relevância - e que vai tomar muito tempo dos estrategistas políticos - é que a cidade vai ter sua primeira eleição com dois turnos no próximo ano.

Ou seja, o candidato a prefeito que não conseguir no primeiro turno mais de 50% dos votos terá que enfrentar o segundo colocado em outra corrida às urnas. A situação peculiar força o agrupamento de candidatos e tendência políticas distintas em torno de um mesmo nome. As eleições em dois turnos ocorrem em cidades que atingiram 200 mil eleitores. Bauru ultrapassou esse número neste ano.

Exemplos variados

A movimentação é tão intensa que é impossível citar todos os casos. Mas um deles é a situação do ex-prefeito Antonio Izzo Filho, que não está perdendo tempo. Bastaram dois ou três dias de descanso para Izzo voltar às ruas. A primeira estratégia foi percorrer alguns veículos de comunicação para apresentar sua versão sobre sua situação jurídica.

Logo em seguida, o ex-prefeito passou a buscar uma legenda. Entre uma conversa e outra, Izzo se reuniu com Antonio Pedroso Júnior em sua residência, onde um dos assuntos foi a situação do PSB, que conta com Tuga Angerami e os vereador Luiz Carlos Valle e Clemente Rezende. “Acabou ocorrendo uma conversa com o Izzo por meio do Agamenon. Mas meu candidato a prefeito pelo PSB se chama Luiz Carlos Valle”, contou Pedroso por e-mail.

Agamenon também serve para ilustrar a reflexão sobre a ciranda eleitoral de Bauru. Ele retomou a realização de churrascos e encontros em bairros para se aproximar, desde já, de eleitores. Mas ele é apenas um entre vários exemplos neste campo.

O próprio Izzo Filho participou, nas últimas semanas, de encontros com moradores da periferia e com grupos de trabalhadores organizados, com os feirantes. Paralelo a esses encontros, ocorre a aproximação de partidos pequenos e de aliados que estavam em silêncio nos últimos anos apenas esperando a chegada do período pré-eleitoral.

Isso ocorre em quase todas as legendas e também fora delas. Integrantes de movimentos sociais e sindicatos também desempenham esse papel. Alguns casos são de amplo conhecimento público. Como as interlocuções que movem o PSTU e sindicatos como o dos Servidores Municipais e dos Bancários. Da mesma forma, grupos cutistas (da Central Única dos Trabalhadores - CUT) atuam entre os ferroviários, os trabalhadores em empresas de energia elétrica e outros.

Movimentos organizados recentemente também desempenham papel político claro. Os diferentes fóruns em ação (de Discussões por Bauru, Levanta Bauru) e as associações de moradores e de grupos de trabalhadores não escrevem atas por acaso.

A intensidade das ações e articulações, neste momento, pode ser explicada pela evidente exposição da crise político-administrativa que assolou integrantes da Câmara Municipal e do Executivo. Em política tão importante quanto promover um reduto eleitoral e se organizar através de um segmento é, por vezes, tirar proveito dos problemas dos outros.

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Ciranda da disputa

As movimentações de grupos políticos estão cada vez mais evidentes. Algumas não são tão visíveis ao eleitor comum, que não acompanha os bastidores da política local. Mas os exemplos estão na busca por novas legendas, nas reuniões de bairros, em almoços de confraternização e nas articulações dentro e fora das siglas.

Um dos exemplos que se tornou público, nesta semana, foi protagonizado pelo vereador Leandro Martins, que deixou o PPS em busca de outro partido. A situação de Leandro dá o tom das ações nesse campo. “O PPS se esvaziou com a saída do prefeito e de outros colegas. Vou buscar uma legenda onde tenha mais condições de se reeleger e para isso preciso de um partido que não tenha tantos medalhões, caciques, e que também tenha bons nomes”, cita.

Os argumentos de Martins servem para dezenas de outros pretensos candidatos. Vale reforçar que o preenchimento de uma cadeira na Câmara depende da performance de vários candidatos em uma mesma legenda ou aliança.

Assim, os partidos buscam tanto alguns candidatos “bons de voto” como outros com performance mediana. “A corrida eleitoral força a procura por alguns que puxam a fila e outros nomes que formam os grupos intermediários. O conjunto dos nomes e das legendas é que vai fazer a diferença na hora de eleger um vereador”, conta um experimentado político que prefere desempenhar, sem alarde, a estratégia política.