07 de julho de 2026
Geral

Avaliação não é sinônimo de prova

Da Redação
| Tempo de leitura: 6 min

A pedagogia defende que todo aluno tem potencial de aprender e seu desempenho deve ser avaliado continuamente pelo professor, em todos os momentos do estudante dentro e fora das salas de aula. No entanto, a maioria das unidades de ensino ainda opta pelas provas como a principal, senão a única maneira de verificar o progresso dos alunos.

“O potencial de cada aluno exige o respeito do professor. Uns aprendem mais rápido, outros demoram um pouco mais”, afirma Marisa Albuquerque, coordenadora do curso de pedagogia da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Em sua opinião, o aluno necessita de avaliações para acompanhar seu desenvolvimento em cada disciplina. Mas ela avisa que avaliação não é sinônimo de prova. “As novas tendências da educação propõem que os professores avaliem a competência e o desempenho dos alunos num processo, e não somente em um momento”, diz Marisa.

“Meus alunos já sabem que eu não os avalio apenas pela prova bimestral. Fazemos atividades o tempo todo e a avaliação é feita de acordo com tudo o que é produzido pela classe”, conta Maria Aparecida de Rezende, professora da 3ª série de uma escola estadual.

Ela afirma que o mais importante, com uma avaliação continuada, é a solidariedade demonstrada pelos alunos com os colegas que têm alguma dificuldade. “Eles sabem que vai existir muita competitividade na vida deles e que eles precisarão estudar muito, fazer provas difíceis. Mas enquanto eles ainda podem ajudar os colegas, trabalhar em grupo, fazem isso com prazer. Até o comportamento deles melhora”, conta Maria Aparecida.

E os alunos da 3ª série gostam de fazer prova? “Sim!”, respondem em coro. “A gente aprende o tempo todo na escola, e se tem uma prova, é só para mostrar que a gente aprendeu”, diz Ana Laura da Silva.

“A prova, as atividades, os exercícios, tudo ajuda para aprender mais”, opina Laércio Eleutério Júnior, também aluno da professora Maria Aparecida.

Vida e obstáculos

“A função da educação é preparar o indivíduo para que ele viva o processo de cidadania. Ele deve estar pronto e seguro para enfrentar os obstáculos, mas também deve ser consciente de seu papel como cidadão”, opina a pedagoga Marisa.

Os professores de uma escola particular da cidade, que possui ensino fundamental e médio, concordam que a função dos educadores é preparar os alunos não só para a vida, mas também para o vestibular e outros exames.

“Além dos valores, o professor também passa o conteúdo. E as provas servem como um treino para outros exames que eles vão enfrentar, como os vestibulares e concursos”, diz a professora de português, Ana Teresa Portalupi.

“Fazendo provas, ficamos preparados para o vestibular, acostumados com o tempo da prova, o silêncio, os fiscais tomando conta”, explica Pamella Watanabe, aluna da 8ª série. João Vitor Vaz Santos, da 7ª série, concorda com a colega. “Você acostuma a não ficar nervoso, dividir os estudos e não se atrapalhar. A semana de provas vai ajudar até na hora de fazer uma entrevista, para mantermos a calma”, diz.

“Mas não pode queimar etapas. Tem que estudar primeiro para o colegial, para passar de ano, e depois se preocupar com o vestibular. Senão, acaba atrapalhando tudo”, opina Pamella.

Cíntia Martins, que é professora da 7ª série de outra escola privada, não concorda com colégios que possuem semanas de prova. “Acho difícil perder duas semanas só fazendo provas, enquanto os alunos poderiam estar vivenciando outras experiências. Como fazemos uma avaliação continuada, de acordo com o trabalho de cada um, não é necessário massacrar os estudantes com uma semana só de provas”.

Uma avaliação continuada dos alunos exige que o professor assuma uma postura diferente, modificando sua metodologia e mantendo um diálogo aberto, para que os estudantes saibam os objetivos do educador e o que ele quer da sala e de cada um, explica Marisa.

“Os alunos são motivados com algo que lhes interessa e, que tenha sentido para eles. O problema não é adequar as avaliações para o processo, mas sim mostrar-lhes o sentido para o processo de aprendizagem”, diz Vanderlei Araújo, professor de filosofia de uma escola particular.

Segundo a professora Cláudia Retz, que leciona em um colégio privado da cidade, o desempenho dos alunos nas avaliações é muito melhor quando o aprendizado é realizado na prática. “O que procuramos fazer é passar o conhecimento relacionado com a vida deles. De que adianta saber que existe basalto na terra roxa se eles nunca viram nem o basalto nem a terra roxa?”, questiona.

Competição acirrada

Atualmente, os professores competem a atenção dos alunos com a televisão, video-games, computadores e Internet, música, cinema, revistas e jornais. Porém é papel do educador, de acordo com a pedagoga Marisa, que ele consiga trazer estes elementos para dentro da sala de aula.

Mesmo em escolas sem muitos recursos tecnológicos, é possível que os professores atraiam a atenção de seus alunos com iniciativas diferentes. “Quando trabalhamos com filmes, eles ficam bem à vontade na sala de vídeo. Deitam no chão, como se fosse na própria casa. E depois, eles ficam mais animados para discutir o que assistimos, já fazendo a relação com outros conteúdos das aulas”, relata a professora da 3ª série Maria Aparecida.

A aluna Izabelle Nakasato Souto pediu para mudar de escola no fim do ano passado, mas depois de um mês de aula, decidiu voltar para a 6ª série de seu antigo colégio. “Eu sentia falta das aulas de música, de artes. No outro colégio, a gente ficava preso dentro da sala o tempo todo. Agora eu percebo como as atividades fora da sala também ajudam a gente a aprender”, conta.

“Quando o professor dá uma aula diferenciada, com debates, jogos, uma viagem, ou ele traz alguma coisa diferente, a aula fica muito mais interessante”, relata o estudante João Vitor.

A prova, este tipo de avaliação do conhecimento, no modelo de pergunta e resposta como é conhecida hoje, foi desenvolvida no século 16 por padres jesuítas.

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Desempenho

Todo bom aluno vai bem nas provas? A resposta da pedagoga, dos alunos e dos professores para esta pergunta foi a mesma: não. Bons alunos podem ir mal nas avaliações.

“É por isso que o professor deve avaliar o processo do aluno. Se ele brigou com os pais, não dormiu direito, discutiu com a namorada, tudo isso vai influenciar o momento do exame pontual. Com o acompanhamento do trabalho em todo o ano, do professor trabalhando junto com o aluno, eles saberão como lidar com esse momento, e o conceito não será afetado”, explica a pedagoga Marisa Albuquerque.

“Existem bons alunos que vão bem em algumas matérias, e não se dão bem em outras. As pessoas não sabem de tudo, mas tem que tentar saber um pouquinho de cada coisa. E isso não é ruim, é bom”, opina Luiza Ribeiro de Castro, aluna da 5ª série.

Na opinião da professora Cláudia Retz, se um aluno se destaca em uma disciplina, deve ser incentivado para prosseguir com seus estudos, mas sem se esquecer das outras matérias, e sem ser comparado com colegas que se destacam em outras áreas. “Se o aluno sabe que ele é bom em alguma coisa, melhora sua auto-estima.