08 de julho de 2026
Regional

Comunidades são carentes de recursos

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Avaí - O cenário de algumas casas das novas aldeias de Avaí (39 quilômetros a Noroeste e Bauru) lembram a uma região periférica de baixa renda. Muitas moradias são uma espécie de galpão, construídas com madeiras e materiais improvisados.

Algumas famílias numerosas, afirma o cacique Jazoni de Camilo, chegam a se manter no limite das dificuldades. Como é o caso da terena Júlia Lipo, 38 anos, que vive com o marido e mais onze filhos na aldeia Ekeruá, com renda semanal de R$ 40,00.

O cacique explica que os poucos recursos repassados pelo governo federal, através da Fundação Nacional do Índio (Funai), são aplicados em atividades de desenvolvimento da aldeia, como o fomento agrícola, e não revertidos em roupas e alimentos para a população.

Atualmente, um dos grupos que possuem menos infra-estrutura é o da aldeia de Pyhau, formada no ano passado por 11 famílias guaranis. “O principal problema nosso é moradia, mas em geral quase todas as famílias aqui passam por dificuldades. Porque as vezes os recursos que entram são poucos e os serviços de fora também pagam pouco”, afirma o cacique Reginaldo Marcoline.

O artesanato, que poderia ser um fonte de renda para as famílias, também não é muito explorado nas aldeias por falta de matéria-prima, como a taquara, guaimbê e sementes variadas. “A gente usa muito o bambu, mas às vezes nem aqui a gente encontra e tem que ir procurar nas fazendas vizinhas”, explica.

O chefe do posto Nimuendaju, Silvan Barbosa Moreira, conta que já trabalhou em outras aldeias no litoral paulista e que sua experiência lhe autoriza dizer que a situação dos índios de Avaí é uma das mais críticas do Estado.

“Eu fui chefe de dez aldeias, no litoral, de Monguagua até Iguape. E a dificuldade lá não era tão grande. Lá, eles têm a mata fechada, o palmito, a matéria-prima para poder fazer e vender os artesanatos. Eles têm mais recursos”, afirma.

Segundo Moreira, daqui a duas semanas a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) deve iniciar a construção de casas populares nas aldeias de Araribá, o que já representa uma conquista para as famílias. “São 30 casas no total. Teremos uma reunião com o prefeito (Reinaldo Rocha) para decidir como elas serão distribuídas”

Verba

A falta de repasse de verbas por parte governo federal é um problema antigo da população indígena de Araribá, segundo o cacique Jazoni de Camilo. Entretanto, com o passar dos anos a situação tem se agravado.

“A verba que o governo passa para os índios vem diminuindo. Não dá para falar desse governo porque ele está começando agora. Todos nós estamos esperando uma coisa boa porque ele falou para nós que ia melhorar a parte do campo. Mas há 66 anos que eu estou aqui e a coisa só vem piorando. Cada governo que entra só corta.”

Moreira não soube precisar o valor e a periodicidade do repasse da Funai (Fundação Nacional do Índio) para as aldeias, entretanto explicou que o dinheiro enviado pelo governo federal sempre fica aquém das necessidades levantadas pelas comunidades. “A última verba que veio no mês de maio foi muito pouca. Nós não temos o valor porque é para todo o Estado de São Paulo”, justifica.