08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Alunos especiais


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A evolução sendo ela física, biológica, psicológica, política, social ou religiosa, além de ser a flor mais linda que a natureza criou no jardim da existência, faz seres humanos rever dogmas, conceitos e criarem uma visão racional e mais objetiva da sociedade e seu comportamento e as consequência no cotidiano.

No país inteiro e também na nossa cidade se discute a iniciativa do Governo Federal, através do Ministério Público Federal, de tentar incluir no ensino público os alunos das entidades e escolas assistenciais que cuidam de crianças, adolescentes e pessoas especiais. Como era previsto, a idéia do governo, recheada de boas intenções mas lançada na hora e em momento errados, suscitou prantos e ranger de dentes, visões apaixonadas acompanhada de discussões simplistas e irracionais como por exemplo ser contra ou a favor. Aliás, sempre abominei esta mania de muitas pessoas quererem se posicionar sem acompanhar ou conhecer a matéria.

O meu irmão João Rodrigues Benedito é aluno especial da Apiece. Seria injusto não citar o belo trabalho da coordenadora da entidade, a Catarina de Carvalho, cujo trabalho pros alunos especiais e também pros excluídos extrapola as barreiras da solidariedade humana.

Quanto à inclusão dos alunos especiais, necessário se faz travar uma discussão justa, racional, séria e imparcial. Não precisa ser um excelente observador para perceber que as escolas públicas devido aos descasos de sucessivos governantes e também dos sindicatos da categoria visando só a greve e a remuneração e muitas vezes esquecendo da péssima qualidade do ensino e do sumiço da carne, está quase falindo. Pra piorar, a violência, a intimidação e a criminalidade materializada no tráfico tomaram conta das salas de aulas e dos pátios das escolas. Daí a analisar que dentro destas condições a escola pública está inabitável até para os alunos comuns. Imaginem então para os alunos especiais. Hoje seria inviável e desumana.

Em alguns países do 1º mundo a iniciativa da inclusão dos alunos especiais nas escolas públicas foi um sucesso. Isto prova que nós brasileiros e bauruenses não podemos ficar acomodados e passivamente ficar achando que as nossas escolas públicas sempre serão resignadas à desgraça eterna. Do mesmo jeito que lutamos e nos adaptamos com os nossos entes queridos especiais dentro dos nossos lares e no cotidiano nós forçamos a sociedade não discriminá-los, temos também que iniciar esta luta dentro das escolas públicas. Basta a melhoria do ensino e a adaptação física das escolas com a contratação de professores e profissionais treinados para lidar em caso muitos exclusivos com os alunos especiais. ai sim a proposta torna-se viável e incluidora. E tanto aluno comum como especial viveriam harmoniosamente.

Não podemos admitir ou descartar a hipótese de que por trás de discursos humanitários ou possível solidariedade esteja a preocupação de muitos profissionais com a possível perda do emprego ou até pequeno lucro com as atividades desenvolvidas nas entidades de alunos especiais, caso a idéia de inclusão seja implantada no Brasil. Se a preocupação for esta é besteira. Do mesmo jeito que há as escolas públicas e particulares quando o projeto for implantado no Brasil haverá entidades particulares que cuidarão dos alunos especiais se a família não optar pelo público.

O isolamento a décadas atrás dos hansenianos interessava prá alguns setores do ramo alimentício, e no ano passado o INSS descredenciou algumas entidades assistenciais que recebiam verba de municípios. Gozavam da filantropia, mas o lucro não era direcionado as crianças assistidas. Tai, os exemplos e em se tratando de ser humano tudo pode acontecer.Inclusão de alunos especiais hoje nem pensar. Porém se as condições forem favoráveis no amanhã seria uma ótima idéia. Embora em casos específicos o recomendável seria o acompanhamento intensivo, neste caso somente as entidades. PS - Até agora a Umesb, a Apeoesp, a Udemo, Sindicato dos professores e outros ligados estritamente ao ramo da educação não se manifestaram sobre o escândalo da merenda escolar. Pobres aluninhos das creches e das escolas estaduais, ficaram órfão de carne e de solidariedade. (Pedro Valentim - RG 19.198.011-0)