Simplicidade é uma das peculiaridades do cotidiano nas comunidades rurais. Moradores afirmam que gostam do estilo de vida sossegado e do jeito “caipira” de ser.
José França, 54 anos, mora há 30 anos em Santa Isabel. O bairro rural, embora oficialmente pertença ao município de Arealva, é considerado parte de Bauru pela proximidade.
Depois de trabalhar na lavoura durante alguns anos, abriu um bar ao lado da igreja de Santa Isabel. “Para mim é tudo bom aqui. Tranqüilo. Quando isso aqui virar cidade, eu vou embora”, brinca.
França elogia a comunidade do bairro. “O povo daqui é muito bom. São amigos e ajudam”, afirma.
A esposa, Tereza Sardinha, 46 anos, nasceu e morou a vida toda na localidade. Vai a Bauru apenas quando precisa fazer compras, já que no bairro não há mercado. “Aqui não tem recurso nenhum. Seu eu quero ir a Bauru, eu pego o carro, vou e volto. Mas não tenho vontade de morar lá”, revela.
Tereza diverte-se com as festas organizadas pela vizinhança e com os churrascos em família. “Sempre tem alguma coisa”, garante.
Segundo Tereza, os filhos de moradores antigos de Santa Isabel que mudaram-se para Bauru voltam nos fins de semana e feriados. “A diversão deles é aqui, onde há sítio e chácara. Eles estão lá para trabalhar”, expõe.
O casal Jovita Petente Belíssimo, 75 anos, e Jácomo Belíssimo, 79 anos, mora há 17 anos em Santa Isabel. “Aqui é uma delícia. É uma lugar de paz”, salienta Jovita.
Os dois nunca moraram na cidade e não têm vontade de mudar o estilo de vida. “Somos criados no sítio. Somos da roça, caipiras. Para todo mundo nós falamos bom dia e boa tarde. Na cidade não se fala”, observa ele.
Aos quase 80 anos, a distração de Jácomo é passar o dia no sítio, entre os animais e as plantas. A da esposa é preparar comidas caseiras.
Quando vão às compras em Bauru, têm pressa de voltar para casa. “Gosto de ser caipira. Gosto de música caipira, de catira”, ressalta Jácomo.
Eles contam que, quando chegaram a Santa Isabel, não havia telefone nem energia elétrica. “Somos caipiras mesmo”, repetem.
O bairro Rio Verde também cativa seus moradores pelo ritmo pacato. Paulo Sebastião Barbosa, 71 anos, já morou em Bauru mas prefere a zona rural pela tranqüilidade e pelo baixo custo de vida. “Na cidade tem que pagar tudo. É só sair na rua”, observa.
“Para mim foi um sofrimento morar na cidade. Minha natureza é de mato, de trabalhar com criação e lavoura. Morei na cidade porque fui obrigado”, afirma.
A esposa, Vitória Firmino Barbosa, 68 anos, gosta do ambiente familiar de Rio Verde. Surpreendentemente, ela afirma que moraria na cidade se fosse necessário. “Tem hora que até eu mesma me admiro. Não tem lugar ruim para mim. Barulho não me incomoda”, diz.