08 de julho de 2026
Bairros

Há diversão para todos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A vida nos bairros rurais é tranqüila e o ritmo é bem diferente da cidade. Nem por isso a população é privada de momentos de diversão. Há opções diferentes das da cidade, mas que satisfazem pessoas de todas as idades.

Nada de boates e bares noturnos. José Silva, 82 anos, encontra alegria ao lado de seu violão. Ele toca e canta modas caipiras na companhia de seu genro Aécio Flávio Mineto, o “Cumpadi Écio”.

Silva mora em Tibiriçá há quatro anos. Ele diz que não mudaria para Bauru por medo da violência. “Aqui é bom de morar. É um patrimônio calmo”, avalia.

O aposentado confecciona vassouras em casa e as vende na região. Acorda cedo para trabalhar e, no período da tarde, vai à praça para jogar cartas com os colegas. “Não saio à noite. Fico em casa e acordo cedo para fazer vassouras”, conta.

Mineto mora em Tibiriçá há cinco anos e, embora esteja desempregado, gosta da vida no bairro rural. “É bom aqui para viver. Todo mundo gosta. O povo é todo bom, amigo e conhecido”, enfatiza.

Para Cumpadi Écio, a diversão, além de tocar violão, é fazer churrasco com a família e jogar truco.

Marcelo Marçal também tece elogios a Tibiriçá, onde vive desde que nasceu (há 35 anos). “É um lugarzinho muito bom. Até bom demais”, diz.

Em seu tempo livre, Marçal gosta de jogar futebol, pescar e participar de eventos promovidos pelo Centro Rural de Tibiriçá.

“Não trocaria essa vida pela da cidade. Aqui é tudo muito mais gostoso. A gente conhece todo mundo. Em cidade grande fica ruim porque a gente não conhece ninguém e porque a gente fica preocupado com a violência”, diz.

Arnaldo Luiz Santos Sobral, 40 anos, mora em Santa Isabel e aos domingos vai com a família ao campo de futebol da comunidade para assistir às partidas de futebol. Toda a cidade se reúne no local. “A diversão nossa é essa. É pouca coisa”, conta.

De vez em quando, vai com amigos ao único bar do bairro para conversar e jogar dominó. Enquanto isso, a esposa faz visitas aos parentes.

Com freqüência Arnaldo faz churrascos familiares que acabam virando uma festa para os parentes. “A diversão nossa é por aqui mesmo. Juntam-se todos, cada um faz uma coisinha. A gente joga truco, dá risada e é divertido. Para nós, é a coisa mais divertida que tem no mundo”, enfatiza.

Raramente, Arnaldo vai à cidade. A mulher faz as compras uma vez ao mês em Bauru e ele só sai de Santa Isabel para cortar o cabelo.

Genozi José Campos, 40 anos, diz que nas horas de lazer vai à casa da cunhada. “Não tem muito divertimento aqui”, diz.

Como gosta de forró, vai às festas da praça da igreja em datas especiais (como no mês da padroeira, em setembro) ou nas comemorações a Santo Antônio, São Pedro e São João. “Festa uma vez por ano é garantida. Tem mais quando alguém casa. Aqui ainda se usa casar”, brinca.

No dia-a-dia, a família de Genozi, que trabalha no campo com horta, gosta de atividades mais calmas porque o trabalho é muito cansativo. “A gente quer brincar de baralho, fazer um jantar”, expõe.

Já Marilene Cristina, 24 anos, sai de casa quando tem festa na região ou rodeio. Além disso, não perde as partidas de futebol aos domingos.

A universitária Fabiana Milena dos Santos, 21 anos, sai aos sábados para passear com amigos em Bauru ou Arealva. Mas aos domingos não perde o jogo de futebol no campo de Santa Isabel.