07 de julho de 2026
Ser

Criar meninos é diferente

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Hoje em dia, os pais de meninos vivem preocupados. A cada hora têm um problema novo a enfrentar. Eles até gostariam muito de entendê-los e de ajudá-los a serem amáveis, competentes e felizes, mas a tarefa de educar garotos não é das mais fáceis pelo fato da grande maioria desconhecer o grande motivo da diferença entre meninos e meninas: a ação da testosterona, o hormônio masculino.

“Todo menino é afetado pelo nível de testosterona. É ela que provoca os estirões de crescimento, a atividade, a competitividade e faz o menino precisar de orientação firme e de ambiente seguro e ordeiro”, defende o terapeuta familiar Steve Biddulph, no livro “Criando Meninos” (Editora Fundamento), que se tornou bestseller na Inglaterra, França, Itália e Austrália e há 26 semanas ocupa posições de destaque no ranking brasileiro dos livros mais vendidos. A obra discute de forma leve e didática as questões mais importantes sobre o desenvolvimento de um homem, do nascimento à fase adulta. Biddulph escreve com humor um texto onde dá orientações práticas para a tarefa de criar um menino.

Para o terapeuta, que nos remete às atrocidades que já foram feitas com as mulheres e ainda são praticadas na Tailândia e no Nepal, onde as meninas podem ser compradas e vendidas, ou mesmo na China onde os bebês do sexo feminino podem ser abandonados à morte, os homens, quando bem-sucedidos, são maravilhosos, mas enquanto jovens ou meninos tornam-se tão vulneráveis e propensos ao desastre.

“Hoje em dia, quando vemos nascer um menino, sentimos um aperto no coração e questionamos o que vai ser dele no futuro. Atualmente, as meninas são mais seguras de si, mais motivadas, mais aplicadas. Os meninos, com freqüência vão mal na escola, têm dificuldades de relacionamento, expõem-se à violência, ao álcool, às drogas e outros perigos”, comenta.

Três estágios

O desenvolvimento do homem para Biddulph se dá em três estágios: do nascimento aos 6 anos, dos 6 aos 14 anos e dos 14 anos à vida adulta. Ele costuma tratar a primeira fase como “os anos tranqüilos”. A segunda etapa é o momento de aprender a ser homem e daí por diante a fase ficar homem de fato.

São nesses processos que os hormônios, no caso a testosterona, vão determinar as mudanças significativas no garoto como a atividade e masculinidade, rapidez de crescimento e desorientação, testes de limites e partida rumo à vida adulta.

Nas oscilações hormonais e até no desenvolvimento cerebral, o terapeuta sustenta sua tese de que, principalmente na fase escolar, os meninos deveriam começar a estudar um ano depois das meninas para evitar sofrimento e frustrações.

Para Biddulph, quando os meninos se sentem inferiores, passam a se comportar mal, fazem barulho, arrumam briga, tudo para desviar a atenção do verdadeiro problema. Antes dos 6 ou 7 anos, os garotos ainda não estão prontos para ficar em sala de aula e ter o mesmo rendimento ou processo de sociabilização que as meninas. Nesse momento, o adequado é integrar a criança e lhe inserir no meio esportivo que irá dar vazão à sua energia vital e lhe ensinará noções de cidadania e comportamento, além de estimular a mente através da estratégia.

“Aos 6 ou 7 anos, quando realmente começa a escolaridade, o desenvolvimento mental dos meninos está de seis a 12 meses atrasado em relação ao das meninas. Eles são especialmente pouco desenvolvidos no que chamamos de ‘coordenação motora fina’, que é a capacidade de usar os dedos para segurar uma caneta ou tesoura. Como ainda estão no estágio do desenvolvimento dos grandes músculos, ficam loucos para exercitá-los e não são muito bons em ficar sentados quietinhos. Conversando com coordenadores de educação infantil de escolas do interior da Austrália a grandes colégios internacionais da Ásia e Europa, recebi a mesma mensagem: ‘Os meninos deveriam esperar, mais um ano’”.

Nesse sentido, a permanência de mais um ano no jardim da infância faria com que os meninos chegassem ao ensino fundamental, intelectual e comportamentalmente falando, no mesmo nível das meninas, apesar de serem um ano mais velhos.

Entretanto, isso não significa que os garotos sejam inferiores, pondera o terapeuta. “São apenas diferentes”.

Os homens

A presença masculina também é outro fator que vai determinar comportamentos e atitudes dos meninos. O pai deve assumir seu papel antes mesmo do bebê nascer. Deve envolver-se com a gravidez da esposa ou da parceira. No caso das mães solteiras, o conselho é de que um tio, amigo, professor, que tenham boa índole e não ofereçam riscos de abuso ou desvio sexual, ajudem na educação.

Para os pais, arrumar tempo para os filhos também é fundamental e não tem desculpa. Quem opta por ter filhos precisa arranjar pelo menos alguns minutos diários ou horas semanais para brincar, ensinar e curtir sua prole. Abraços e beijos também fazem parte deste processo e as crianças vão imitar todas essas atitudes de respeito e carinho.

Mas a disciplina é um quesito fundamental na educação. Biddulph apela aos pais para que sejam firmes, não empurrem a responsabilidade do filho para a família ou a escola.

“Os pais firmes são claros, determinados e, por dentro, bastante confiantes e relaxados. Os filhos aprendem que o que a mãe ou o pai dizem é pra valer, mas ao mesmo tempo eles não serão tratados com humilhação e insultos.”