08 de julho de 2026
Geral

Documentos e jornais revelam crimes que comoveram a cidade


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Folheando as páginas dos jornais e documentos guardados no Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da USC, é possível percorrer alguns episódios que até hoje são relembrados, como os crimes que comoveram a cidade. Para Gabriel Pelegrina, coordenador do núcleo, no entanto, a consulta é desnecessária. Ele guarda na memória detalhes de todos eles.

Um dos preferidos do coordenador é o assassinato do então presidente da Câmara Municipal de Bauru, Azarias Leite, ocorrido em outubro de 1910. “Descobri em atas da Câmara do dia 5 de março daquele ano que ele chamou a atenção dos juízes de direito para os atos de selvageria que aconteceram aqui na eleição do Hermes da Fonseca para presidente”, declara.

Pelegrina diz que os documentos revelam que Leite fez duras críticas ao juiz da então comarca de Agudos, José Pedro de Castro. “O Azarias disse que, em vez de dar exemplos, ele incentivou aquelas arruaças. Quando o presidente da Câmara foi assassinado, o início do processo citava o juiz como mandante, mas logo isso foi eliminado”, revela.

O coordenador conta que o assassino acabou sendo preso pela polícia em Pirajuí. “Ele declarou o mandante, só que não aparecia o nome juiz, e sim o de Francisco Saraiva. Ele aceitou ser o intermediário porque a mulher tinha matado um homem e fez isso para que ela escapasse de punição”, diz.

Pelegrina recorda também o assassinato do comerciante Cristo Xavier da Cunha, no final de 1936. “Ele tinha uma loja na quadra 2 da rua Batista de Carvalho e vendeu uma geladeira com defeito para um morador de Avaí. O comprador voltou para trocar o produto e ele se recusou. Diante disso, foi baleado. Hoje temos o Código de Defesa do Consumidor, mas naquela época quem mandava era a bala”, conta.

Ele lembra que esse crime motivou até uma brincadeira com um bispo da cidade. “Eu falei para ele que tinha documentos provando que Cristo havia morrido em Bauru. Acho que ele pensou que eu estava louco”, diz.

O coordenador do núcleo conta outra história que o marcou. “O capitão José Gomes Duarte foi assassinado na quadra 7 da rua Batista de Carvalho, em 1929. Ele foi morto porque era administrador de uma fazenda e entrou em divergência com um dos moradores de lá”, afirma.

Mesmo motivo

Segundo Pelegrina, dois bauruenses acabaram sendo mortos pelo mesmo motivo, mas em locais diferentes. “Frederico Karg foi assassinado em 1925 depois de fechar uma estrada que servia a outros sitiantes vizinhos. Ele era dono de uma olaria que ficava perto da Vila Santa Luzia. Quatro anos depois, Elias Felício, que cuidava de uma fonte de água mineral, tomou a mesma atitude e teve um fim idêntico”, declara.

Ele recorda também o caso de dois comerciantes da cidade que moravam em São Paulo. “Um se chamava Aureliano Cardia e matou Paulo Pacífico sob a alegação de que este estava paquerando a mulher dele. Meses depois, quando o assassino veio a Bauru, a mãe da vítima estava na estação ferroviária e o assassinou”, conta Pelegrina.

Já Terezinha Santarosa Zanlochi se recorda de outro crime famoso, o de Mara Lúcia Vieira, garota que foi morta de forma violenta há cerca de 30 anos e é apontada como responsável por alguns milagres na cidade. “O túmulo dela ganhou fama e hoje todo mundo vai rezar lá e pedir graças. Há a crença popular de que ela tem mais graças diante de Deus por ter morrido muito criança”, declara.