08 de julho de 2026
Geral

Sem-terra mudam acampamento pela 5ª vez

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Os sem-terra do grupo Terra Nossa, que estão acampados na região de Bauru desde o início de janeiro, mudaram-se pela quinta vez. As cerca de 200 famílias do grupo saíram da margem da estrada vicinal que liga o Jardim Chapadão ao Esquadrão da Vida e acamparam a aproximadamente 800 metros do local, em uma gleba de terra arrendada pela Lwart, empresa com sede em Lençóis Paulista.

O grupo mudou o acampamento, no domingo, porque a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) obteve liminar de reintegração de posse da área até então ocupada. Eles estavam morando sob a linha de alta tensão da CPFL. No pedido de reintegração de posse, a companhia alegou à Justiça risco de acidentes com a rede elétrica.

A saída dos sem-terra foi, mais uma vez, pacífica. Eles admitiram o perigo de ficar acampados sob a rede elétrica, segundo o coordenador do movimento, Klinger Bueno. “A CPFL conseguiu a reintegração de posse e nós saímos pacificamente porque reconhecemos o perigo. São 69 mil volts”, diz.

Ele explica que, ao tomar conhecimento da ordem judicial para sair de sob a rede elétrica da CPFL, procurou um outro local próximo do acampamento para levar as famílias. “Preliminarmente, conversamos com a Lwart, que faz a extração de eucalipto para celulose no local”, conta.

Segundo o coordenador dos sem-terra, a empresa pediu apenas para que eles não mexessem nos eucaliptos e não atrapalhassem a retirada de madeira. “A extração da celulose termina em dois meses. Neste período esperamos que o Horto de Aimorés seja designado para a reforma agrária”, afirma.

A área ocupada pelo grupo fica após o córrego Água do Galvão e já pertence, segundo Bueno, ao município de Pederneiras. “O córrego é a divisa dos municípios. Estamos na área de Pederneiras”, diz. As 200 famílias do grupo de sem-terra estão com as lonas rasgadas, de acordo com o coordenador do movimento. “As cinco mudanças de local e o vento forte têm rasgado as lonas. Estamos precisamos de mais lonas e leite para as crianças”, afirma.

As famílias de sem-terra chegaram ao Horto Florestal de Aymorés no dia 9 de janeiro deste ano. No dia 27 do mesmo mês transferiram-se para o horto de Pederneiras. Em abril ocuparam uma área próximo ao horto reivindicada por particulares, que obtiveram liminar de reintegração de posse. Em maio o grupo mudou-se para a estrada vicinal e no último domingo transferiu-se para a área da Lwart, cerca de 800 metros de onde estavam.

Na busca por um pedaço de terra para plantar e se livrar da relação patrão/empregado, Aparecido dos Santos deixou a cidade de Mogi Guaçu com sua família. Em seis meses de vida como sem-terra, ele já montou e desmontou sua barraca 12 vezes.

Ele admitiu que a luta por reforma agrária não é a das mais fáceis. “Estou nessa luta com minha mulher, dois filhos e um neto. Estou ficando especialista em armar e desarmar barraca. Tenho esperança de conseguir um pedaço de terra e me livrar do patrão”, afirma.

Avaliação

Uma equipe da Lwart esteve ontem no acampamento dos sem-terra para avaliar a ocupação. A empresa ainda não informou qual medida adotará, mas uma fonte lembrou que a solicitação de reintegração de posse cabe aos proprietários da área. Segundo a fonte, o contrato de arrendamento da Lwart com os proprietários deve vencer nos próximos meses.