09 de julho de 2026
Esportes

Bauru entra na campanha olímpica

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru está na rota da campanha brasileira para sediar os Jogos Olímpicos. O judoca Rogério Sampaio, medalha de ouro nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992, esteve na cidade no último sábado para ministrar uma clínica de judô a praticantes de Bauru. Para ele, o País tem grandes chances de sediar uma edição das Olimpíadas - Rio de Janeiro e São Paulo são candidatas para os Jogos de 2012.

“Isso seria um legado enorme para o esporte brasileiro. Se conseguirmos organizar uma Olimpíada, vai ser um divisor no esporte do País”, diz Sampaio, para quem a oportunidade de sediar os Jogos traz benefícios muito além da mera melhora na posição no quadro de medalhas.

Na opinião dele, a organização dos Jogos Abertos do Interior, realizados anualmente com cerca de 8.000 atletas, é um indício de que o Brasil pode sediar um evento esportivo gigantesco como as Olimpíadas. “São Paulo é o Estado mais equilibrado financeiramente para organizar uma Olimpíada. As maiores empresas da América do Sul e da América Latina estão no nosso Estado”, afirma o judoca.

Sampaio ministrou sua clínica na unidade local do Serviço Social do Comércio (Sesc), que está promovendo em toda a rede a Semana Olímpica, com palestras, oficinas e seminários. O judô é um dos esportes em que o Brasil tem melhores resultados em Olimpíadas. “O judô é um esporte importante em termos olímpicos e em número de praticantes em todos os Estados do Brasil”, declara.

Segundo Sampaio, a modalidade já é tradicional no País e figura como importante fator de inclusão social. “O número de projetos sociais não só no judô como em outras modalidades tem crescido nos últimos anos, inclusive porque o empresariado se coloca mais disposto a apoiar um projeto social que vai beneficiar um número muito maior de pessoas do que dar patrocínio para um atleta”, aponta.

Faixa-preta

Em Bauru, um projeto para crianças carentes do Núcleo Presidente Geisel, em funcionamento desde 1995, tem dado resultados admiráveis. Vários meninos e meninas que começaram a praticar judô no local já estão prestes a fazer exame para obter a faixa-preta.

A idealizadora do projeto, Renata Silva, tricampeã sul-americana e hexacampeã brasileira de judô, afirma que o contato dos praticantes com um medalhista olímpico é de grande valor. “Talvez uma palavra que o Rogério falou, um golpe que ele demonstrou, possa ter mudado a vida de uma criança daqui”, diz.

Renata fala por experiência prórpia. Quando criança, também não tinha recursos para praticar o esporte e teve de contar com a ajuda do professor Artêmio Caetano Filho, que a deixou freqüentar sua academia de graça e patrocinou viagens para competições.

Ela também se recorda da emoção em se encontrar pela primeira vez com um ídolo do esporte. No caso, Chiaki Ishi, primeiro judoca brasileiro a trazer uma medalha olímpica - foi bronze nos Jogos de Munique, em 1972. “Quando eu comecei, na idade deles, para mim era um sonho encontrar-me com um medalhista olímpico”, declara Renata.

Atualmente, o judô no Geisel está com cerca de 80 pessoas, entre crianças e adultos. Renata, mesmo afastada das aulas, considera as crianças do projeto sua família. “Se eles não forem virar campeões, pelo menos eles têm uma experiência de vida, vão aprender a ser guerreiros, aprender a cair e levantar, como o judô ensina”, diz.

A judoca Milena Xavier Siqueira, 24 anos, pratica judô há sete anos no projeto do Geisel e deve prestar exame para faixa-preta no final deste ano. “Eu nunca tinha ouvido falar de judô. Eu comecei no karatê, depois passei a fazer capoeira. Quando abriu a academia no Geisel, uns amigos me falaram e eu comecei a praticar, me interessar e não larguei mais”, conta. Segundo ela, seu objetivo é, um dia, conseguir viver do judô.

Já Bruno Moraes Neques, 8 anos, começou a freqüentar a academia há pouco tempo. Ainda está na faixa-branca, mas, segundo Milena, tem jeito para o judô. Ele diz ainda preferir os campos de futebol ao tatame, mas confessa: “Sou melhor no judô”.