10 de julho de 2026
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Primeiro semestre: monetário x real


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O primeiro semestre desse ano foi marcado pelo contraste: o lado monetário da economia com excelente desempenho, contra o péssimo desempenho do lado real da economia.

Câmbio e ações viveram momentos importantes, resgatando parte da credibilidade perdida ao longo da campanha política do ano passado.

A cotação da moeda norte-americana, por exemplo, cedeu cerca de 20% nesses seis meses. Ficou pela primeira vez em 30 dias abaixo da cotação dos R$ 3,00 por dólar.

Adotando uma postura conservadora, o Banco Central Brasileiro manteve-se firme em seu propósito de atingir a meta de inflação estabelecida com o FMI. A meta de inflação apertada para o padrão brasileiro levou ao que podemos chamar “engessamento” da economia.

É nesse particular que o governo acabou pecando. A dose, ao nosso ver, foi exagerada.

Os efeitos sobre a economia real, a que produz bens e presta serviços, foram desastrosos. Lembremos alguns parâmetros: desemprego recorde de 12,7% medido pelo IBGE e acima de 20% medido pelo Dieese/Seade; crescimento econômico revisto para no máximo 1,6% em 2003; crescimento assustador do número de cheques devolvidos por falta de fundos; crescimento da informalidade (cerca de 40% da população ocupada não têm carteira profissional assinada); quebradeira de empresas de pequeno porte; juros para o tomador final ultrapassando 150% ao ano; entre outros.

É certo que o setor externo compensou parte das perdas no mercado interno, entretanto as empresas que atuam no mercado externo não são as mesmas que agonizam no mercado interno.

Com tudo isso, entendemos que já passou o momento de uma retomada mais firme do crescimento econômico. Se quisermos um desempenho melhor no segundo semestre, o momento da decisão é agora, e um bom começo seria o rebaixamento da taxa de juros já na próxima reunião do Copom.

Se isso não acontecer, continuaremos com a dualidade: risco-país em queda, atendendo os interesses do capital estrangeiro, contudo com um mercado interno amargando desempenho pífio.

A população não suporta mais tanto ônus. (O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, mestre em comunicação, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru e delegado do Corecon)