Os médicos do Hospital Beneficência Portuguesa reuniram-se ontem à noite para estudar a possibilidade de assumir a administração da entidade e realizar um empréstimo financeiro, caso a terceirização, que já foi aprovada, não seja realizada. O hospital, que atende somente pacientes particulares e de convênios médicos, passa por uma séria crise financeira atualmente.
A direção do hospital espera, independente da proposta discutida ontem à noite, a resposta do grupo empresarial proprietário da Gocil Segurança, interessado na terceirização.
O plano de um grupo de médicos fazer o empréstimo para investir no hospital vem sendo estruturado há algumas semanas, de acordo com o oftalmologista Raul de Paula, e só ontem foi apresentado oficialmente ao quadro clínico.
Na semana passada, o Conselho Deliberativo do hospital aprovou a proposta da terceirização. A entidade seria administrada pelo grupo empresarial proprietário da Gocil Segurança. Com a terceirização, o grupo assumiria as dívidas com bancos, fornecedores e empresas terceirizadas e realizaria investimentos para melhorias e garantia da qualidade do atendimento.
“A terceirização é o plano A, já que nossa preferência é por uma empresa assumir nossa administração. No entanto, como está ocorrendo uma certa demora na resposta da Gocil, nós temos um plano B, que seria os médicos se proporem a assumir a administração do hospital”, afirma Raul de Paula.
No primeiro contrato apresentado ao hospital, o grupo empresarial se propôs a assumir a administração da entidade e as finanças por 20 anos, com possibilidade de renovação. Ao final do contrato, o hospital retornaria todos os investimentos realizados pelo grupo, ou a administração passaria definitivamente à Gocil. Algumas cláusulas foram alteradas e a entidade está esperando a resposta do grupo.
“A perspectiva é de que hoje ou amanhã venha a resposta da Gocil. Vamos esperar uma semana. Se passar disso, os médicos vão ter de assumir. Preferimos trabalhar como médicos, mas não podemos deixar o hospital fechar”, diz o oftalmologista.
Um contrato com os médicos funcionaria da mesma forma e também teria longa duração. “O retorno depende da administração. Se tudo correr bem e tivermos lucro, os médicos administradores recebem sua parte. Todos estão temerosos, mas caso o corpo clínico assuma o hospital, terá o seu retorno como qualquer investimento”, finaliza Paula.