Um bar localizado na quadra 1 da Praça Machado de Mello foi interditado por fiscais da Secretaria Municipal de Saúde ontem à tarde em Bauru, por falta de higiene e de espaço físico adequado à manipulação e venda de alimentos. Em outro estabelecimento, um hotel localizado na quadra 2 da avenida Rodrigues Alves, policiais civis do 3.º Distrito Policial e militares da Base Centro, que acompanhavam os fiscais, apreenderam crack, maconha e cocaína.
As drogas estavam no quarto ocupado por um adolescente de 17 anos, que é de Birigüi e admitiu ter vindo a Bauru para vendê-las. No quarto também foram apreendidos R$ 330,00, três celulares, documentos de terceiros, um videocassete, um relógio e um rádio portátil.
A fiscalização feita ontem em vários bares e hotéis da área central é rotineira, segundo Maria Helena Abreu, diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde. “Realizamos essa fiscalização o ano todo e em alguns locais fazemos um trabalho em conjunto com a polícia”, explica.
Por mês, o DSC fiscaliza cerca de 500 estabelecimentos comerciais na cidade, mas é raro casos de interdição. “Das cerca de 500 inspeções, são aplicadas de 40 a 50 multas, em média. Já a interdição do estabelecimento só é feita em casos mais graves, quando as irregularidades já vêm se arrastando e não foram feitas as adequações necessárias”, explica.
Nas portas do bar, que foram fechadas, os fiscais afixaram um cartaz informando que o estabelecimento foi interditado por falta de dependências mínimas adequadas ao fluxo de manipulação e comercialização de gêneros alimentícios e bebidas em geral. O dono do bar, Luiz Donizete Viola, que ficou indignado com a interdição, diz que não vende alimentos.
Considerando a interdição descabida, Viola pretende ir à prefeitura e tentar reabrir o estabelecimento. “Só vendo bebidas em geral e, vez ou outra, uma porção fria. Tenho fogão, mas é para fazer a minha comida”, diz ele, que mora em um dos quartos existentes nos fundos do bar.
Viola reconhece que o prédio onde funciona o bar é antigo e meio precário. “Se é pelo fogão, não há problema, eu tiro do bar. Mas não podem fechar o bar assim. Estou há seis anos nesse lugar e é o meu ganha-pão. Pago R$ 700,00 de aluguel do prédio. Eu já fiz umas adequações no forro, de banheiro, que pediram, mas dentro do que eu podia. Agora, quem vai arcar com o prejuízo, ainda mais no início do mês, a melhor época para o comércio?”, questiona.
O comerciante conta que, apesar do bar ser interditado, recebeu duas multas, totalizando mais de R$ 700,00. A vendedora autônoma Madalena Salgado Finquel, que mora em um dos quartos nos fundos do bar, não acha motivos para a interdição. “Acho que é exagero interditar. Ele (Viola) lava o bar duas ou três vezes por semana. Não falta limpeza”, diz.
Já uma pessoa que estava observando o cartaz indicando a interdição, mas não quis ter o nome divulgado, discorda. “Esse bar era bom, mas agora está decadente. Eu não entro em um lugar desses”, afirma.
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Higiene
Luiz Donizete Viola, dono do bar interditado, reclama também que há outros estabelecimentos na área central em condições de higiene piores que o seu e que estão abertos. Como ainda não havia conversado com os fiscais que estavam na rua, Maria Helena Abreu, diretora do DSC, não pôde comentar as irregularidades achadas no bar interditado, mas explicou que o proprietário poderá reabri-lo após fazer as adequações pedidas.
Ela ressalta que a fiscalização é feita o ano todo, mas Viola pode telefonar para o DSC e indicar quais estabelecimentos funcionam sem as devidas condições de higiene, que eles serão vistoriados. Além de falta de condições de higiene e espaço físico adequado, a irregularidade mais comum achada pelos fiscais é produtos com validade vencida expostos para a venda.
Nesses casos, de acordo com Maria Helena, o alimento é apreendido e inutilizado e o estabelecimento, autuado. “Até mudamos nossa sistemática de rotina porque percebemos que alguns estabelecimentos colocavam à venda produtos vencidos nos finais de semana e feriados. Mas nós fiscalizamos todos os dias”, frisa.