09 de julho de 2026
Bairros

'Piscininha' vai combater enchente

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto aguarda verbas federais e do Banco Mundial para iniciar as obras de construção de duas barragens de contenção de água, a Prefeitura Municipal de Bauru resolveu fazer um acordo com os proprietários de novos loteamentos para evitar que o problema das enchentes se agrave. Cinco novos empreendimentos da cidade contarão com pequenos reservatórios, que estão sendo chamados de “piscininhas”.

O sistema armazena, em um local dentro do próprio loteamento, o excesso de água que desce pelas galerias pluviais, evitando que todo o volume seja lançado nos córregos simultaneamente com a chuva. O tamanho do reservatório depende de um cálculo que é feito para saber qual é a capacidade de absorção do solo antes que ele seja impermeabilizado pelos imóveis e asfalto.

A secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano, explica que não há nenhuma lei que obrigue os loteadores a construírem as piscininhas, mas que nenhum deles se recusou a fazer a obra até agora. “O que existe é uma diretriz dada pela prefeitura e que está tendo boa receptividade. Eles entendem que o problema é sério e que é a forma deles contribuirem para não agravá-lo ainda mais”, revela.

Segundo ela, as reclamações acontecem apenas quando eles tomam conhecimento do trabalho a ser feito. “Na primeira conversa, eles lembram que é um custo a mais, pois já exigimos toda a infra-estrutura, como água, esgoto, guias, sarjetas, galerias, pavimentação e iluminação. Mas, depois, entendem que o benefício é grande e que eles podem tirar proveito”, diz.

É exatamente o que fez o proprietário de um loteamento em construção, Paulo José Aiello. Ele pretende utilizar a “piscininha” como campo de futebol nos dias de tempo seco. “Vamos colocar duas traves. Tem que usar a criatividade. Fica ecologicamente bom para nós e ajuda a prefeitura. Se fosse uma área para lotes, iríamos ganhar mais dinheiro, mas não é só isso que interessa”, afirma.

Maria Helena lembra que esses espaços de contenção de água têm também um caráter educativo. “Se a pessoa jogar o lixo dela dentro do loteamento, ele vai aparecer lá”, declara.

Segundo ela, não são apenas os loteamentos fechados que deverão contar com “piscininhas”. “Os novos núcleos habitacionais também precisarão construí-los”, declara.

Obras

A secretária de Planejamento explica, no entanto, que somente obras de grande porte poderão dar um fim ao problema das enchentes em Bauru. Dois projetos de construção de barragens já estão prontos, mas ainda não têm data prevista para saírem do papel. “Temos a expectativa de ter alguma verba já em 2004”, revela. Esses locais funcionarão como “piscinas” em tamanho maior.

A prefeitura está tentanto buscar dinheiro em duas esferas, o governo federal e o Banco Mundial. Um dos projetos é para a avenida Nações Unidas, que teria uma barragem de contenção no Parque Vitória Régia. “Estimamos que o custo dessa obra seja de R$ 300 mil, mas queremos aproveitar para reformular outras partes do local, como os banheiros e o palco”, conta.

O outro projeto que está pronto é uma barragem para resolver os problemas de enchente causados na bacia do córrego Água do Sobrado, no Jardim Jussara. “Ele inclui as galerias, sarjetas, guias e pavimentação. O valor a ser investido fica entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, pois há também a desapropriação do terreno”, afirma.

Em 2001, o desabamento de uma erosão assoreou o córrego, que transbordou e inundou a avenida Alfredo Maia. Uma enfermeira e um motoboy foram arrastados pela correnteza e morreram.

Maria Helena conta que, embora essas duas obras sejam prioritárias, há a previsão de se construir outras cinco barragens três na região do córrego Água da Ressaca e duas no córrego Água da Grama. “Todas estarão inseridas em um parque urbano, com quadras e quiosques, pois só funcionarão como obras de contenção durante as enchentes”, revela.

Ela afirma que estuda estender o benefício a outras duas regiões, nos fundos de vale da Água do Castelo (prolongamento da avenida Nações Unidas) e Água Comprida (região do Sambódromo). O objetivo seria criar duas barragens com espelhos dágua, ou seja, uma espécie de lagos artificiais. “Elas teriam uma função ambiental, de drenagem e também de lazer”, defende.

A secretária lembra que resolveu implantar esse tipo de projeto em 2001, quando participou de um encontro em Porto Alegre. Durante essa semana, aliás, ela participou de outro evento sobre drenagem urbana, desta vez em Santo André. “Pude verificar que o que trabalho que estamos implantando aqui está sendo feito de maneira correta”, diz.