08 de julho de 2026
Regional

Hidroponia é o destaque da escola

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Barra Bonita - Entre tantas espécies de animais e diante da variedade de hortaliças e frutas, o maior destaque do Sítio-Escola de Barra Bonita (68 quilômetros a Sudeste de Bauru) é o uso da hidroponia no cultivo de verduras, principalmente a alface.

A hidroponia é a ciência de cultivar plantas na água. As raízes recebem uma solução balanceada que contém todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta.

No Sítio-Escola, existem quatro estufas e uma delas trabalha nesse sistema de cultivo. Duas caixas d’água com capacidade para 15 mil litros cada garantem o abastecimento em tempo integral.

A água sai das caixas, são transportadas através de um sistema de tubulação por todos os “canteiros” e, por fim, é armazenada em duas caixas que ficam do lado de fora da estufa, na parte baixa do terreno.

A água desce por gravidade e retorna para o ponto de partida com o auxílio de bombas mecânicas. O processo de “irrigação” é feito 24 horas por dia. Ou seja, de forma ininterrupta.

Todo o processo é controlado pelos alunos Alexandre Alves de Oliveira, Adenilson dos Reis Moreira, ambos de 16 anos, e pelo coordenador geral do sítio, Nílton Luiz Gonzaga, 35 anos.

São eles que semeiam, cuidam do desenvolvimento da planta (controlando inclusive a dosagem de nutrientes na água) e colhem. Segundo Oliveira, a forma de cultivo (na terra ou na água) não interfere no crescimento das verduras. De acordo com o adolescente, o tempo para a colheita é o mesmo.

A coordenadora explica que as verduras hidropônicas produzidas no Sítio-Escola não recebem nenhum tipo de agrotóxico. Segundo ele, as pragas que normalmente atacam as hortaliças na terra não são encontradas na plantação hidropônica.

Outra particularidade da estufa onde funciona a hidroponia é o controle da temperatura. Toda vez que o termômetro chega aos 30 graus, o sistema de nebulização é acionado automaticamente. O local fica tomado por uma “fumaça” de água, o que reduz a temperatura.

Por ser a verdura mais procurada para consumo, a alface ocupa cerca de 80% do espaço dentro da estufa. O restante é dividido entre a hortelã, rúcula, couve, agrião, brócolis, salsa e outras variedades.

Além da alface, os campeões de venda no Sítio-Escola são o milho verde e a mandioca, segundo informou Antônio Fernandes, 71 anos, responsável pela estufa das hortaliças plantadas na terra.

Ao redor da estufa, Fernandes plantou vários pés de arruda. Segundo ele, a planta serve como repelente natural para algumas pragas, como as borboletas, por exemplo.

Outro setor bastante procurado no Sítio-Escola é o de plantas medicinais. Com a busca cada vez maior pela medicina alternativa, Durval Dias, 76 anos, procura manter seu setor sempre com estoque de plantas para poder atender os pedidos dos consumidores mais tradicionais.

Dias é o responsável pela área de plantas medicinais e também frutíferas, embora esta ainda esteja em fase de expansão. Atualmente, o sítio mantém alguns pés de laranja, mamão, poncan e banana.

Já no setor de animais, a variação é maior. Uma das funções mais ingrata cabe ao aluno Benedito Oscar Teodoro Filho, 17 anos.

Ele é o responsável pela criação de coelhos, mantida pela escola. Depois de acompanhar o nascimento dos filhotes, criar todos eles com bastante carinho e dedicação, sempre chega o momento do abate, feito por ele próprio.

Segundo Benedito, só escapam os coelhos que, por sorte, são escolhidos e comprados pelos visitantes. Em vez de serem mortos para servir de comida em um prato refinado, eles passam a ser tratados como animais domésticos e, normalmente, são salvos da morte prematura.

Por ser uma iguaria de preço nada popular (cerca de R$ 15,00 o quilo), a procura por carne de coelho é baixa. Conseqüentemente, a quantidade de animais abatidos também é pequena. Apesar da função ingrata, Teodoro Filho não reclama. Ele conta que, na hora de matar os coelhos, sempre conta com a ajuda de algum colega.

De acordo com a coordenadora Solange Lourenção Seaca, existem hoje no Sítio-Escola cerca de 165 coelhos das mais diferentes espécies. A intenção, segundo ela, é aumentar ainda mais esse número.

Ao todo, a escola possui 17 tipos diferentes de animais, o que garante bastante serviço para os alunos com a alimentação diária, limpeza, higiene e aplicação de vermífugos. Tudo para garantir uma produção saudável e a continuação do sucesso alcançado até agora pela escola.