08 de julho de 2026
Bairros

Santos vizinhos!

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Segundo o dicionário, vizinho é “aquele que reside próximo a nós”. Mas ele pode ser muito mais que isso. Em tempos de globalização e individualismo exacerbado, ainda existem pessoas que cultivam a política da boa vizinhança e estão sempre dispostas a ajudar moradores próximos.

Por outro lado, com o crescimento da cidade, muita gente não conhece a família que mora do lado de lá do muro. Profissionais da saúde alertam e dizem que é importante manter bons relacionamentos.

O aposentado Nilson Oliveira Silva, 53 anos, é um bom exemplo. Se um cano estourou, a calçada está com problemas ou alguém precisa de carona, lá está ele para ajudar.

Ele mora no Parque São João há mais de dez anos e sente-se bem quando auxilia alguém em determinado problema. “Onde eu vou eu sempre faço a política da boa vizinhança. O que eu posso fazer, eu faço. Sempre foi assim. Eu fico contente por poder servir”, diz.

Na maioria das vezes, Nilson faz serviços de reparos em parte elétrica e hidráulica das casas. São tarefas que ele considera simples e não cobra nada por isso. “É de boa vontade e com prazer. Eu faço com bom gosto”, salienta.

Entretanto, ele instala redes, planta árvores, conserta irregularidades em calçadas, faz transportes para o hospital. Os pedidos surgem a qualquer hora do dia. Nilson já atendeu até casos de urgência.

“Tinha um vizinho que sempre passava mal e eu era acionado para levá-lo ao hospital. Não tinha dia, não tinha hora. Às vezes era de madrugada. Ele tinha família, mas não tinha recurso. Eu também levei gestantes à maternidade”, explica.

Para nunca ter brigas, Nilson tem um segredo. “Quem faz o bom vizinho é você mesmo. Se você tem uma política de boa vizinhança, nunca haverá atrito”, diz.

Neusa Araújo Fernandes é uma das vizinhas que já foram contempladas com a ajuda de Nilson. “Ele é o máximo. É o anjo da guarda da rua. Qualquer coisinha que precisamos, ele está sempre disposto. Mesmo quando a gente não pede”, expõe.

Cura

Daniel Rodrigues, o “Índio Urubatã”, do Parque das Nações, é outro vizinho prestativo. Ele mora no bairro há cerca de 20 anos e tem bom relacionamento com todos.

As pessoas da comunidade o procuram para pedir benzeduras e conselhos. Os segredos vêm de sua aldeia Guarani, no Mato Grosso. “Como eu sou um homem muito conhecido e espírita, eu benzo crianças. Tem raizada do mato que eu tiro para todos os tipos de doenças. É dessa forma que as pessoas acham que a gente ajuda”, conta.

Índio gosta de servir através da palavra consoladora. “Eu gosto sempre de ajudar as pessoas. Se chegam famílias que precisam de conselho, estou aqui para consertar aquela situação”, diz.

Ele é bastante conhecido na região e sente-se bem quisto pelas pessoas. “Eu só tenho o instinto do bem. Sinto satisfação quando as pessoas me procuram”, afirma.

Embora viva com dificuldades, Índio não cobra nada pelos serviços que presta à comunidade.

No Jardim Redentor, a referência é Madalena Brás Oliveira, a Madalena Branca. As pessoas do bairro a procuram por motivos diversos: pedir conselhos, ajuda para comprar remédio, comida, roupas etc.

“Todos que precisam de mim vêm aqui e eu procuro socorrer. Pode ser de dia, pode ser de noite. Gosto demais de fazer essas coisas”, revela.

Mãe de cinco filhos, Madalena divide-se entre a família, o trabalho de sacoleira e a atenção aos moradores que lhe pedem ajuda.

“Às vezes eles vêm perguntar para mim o que acho de tal coisa que querem fazer. Querem uma opinião. Eu atendo todos e eles me tratam muito bem”, ressalta.

Tudo começou há cerca de oito anos, quando Madalena iniciou uma campanha de arrecadação de agasalhos para pessoas carentes. Depois, vieram as festas de Natal e do Dia das Crianças e ela tornou-se conhecida.

Quando seus filhos eram pequenos, Madalena passou por muitas dificuldades e fez uma promessa. “Eu pedia para Deus dar forças para eu criar meus filhos porque assim que eles estivessem criados eu iria ajudar as pessoas necessitadas”, conta.

Há pouco tempo, Madalena chegou a comprar com seu próprio dinheiro uma cadeira de rodas para uma mulher adoentada que estava de cama e não podia andar.

“Eu me sinto tão feliz, tão feliz, que parece que sou eu que estou recebendo. Não ganho nada. Eu faço de livre vontade.”