Política da boa vizinhança faz bem, mas nem sempre esse argumento é suficiente para sustentar a paz entre os vizinhos. Discussões, desentendimentos ou apenas incômodos são comuns em determinados locais.
Gislaine Gerolamo Pereira Fernandes, da Vila Aviação, não tem muitos problemas com os vizinhos, mas sente-se incomodada nas noites barulhentas do edifício. “Brigas, pessoas que trazem visitas e que não respeitam a gente que tem criança e dorme cedo”, diz.
No prédio há um casal de vizinhos que desde que mudaram-se para o edifício causam perturbação. “É um casal que briga feio. Eles brigam muito e tarde da noite. Algumas pessoas foram reclamar porque é muito barulho. É complicado. Bem complicado”, reforça.
Roberto Ferreira Dias, do Jardim Pagani, mora há 30 anos no bairro. Ele afirma que sempre houve muita solidariedade entre as pessoas. “Principalmente os vizinhos mais antigos. A maioria dos vizinhos troca favores à medida em que precisa. Há uma certa união”, conta.
“Não é aquele vizinho de ir na casa do outro, mas quando precisamos nós nos ajudamos. Trocar pneu, por exemplo, ou outros favores. O vizinho às vezes antecipa a necessidade da gente”, afirma.
Apesar do clima de camaradagem, nos últimos meses Roberto tem se incomodado com os vizinhos da casa ao lado. “Depois que começaram a vender ou alugar casas para terceiros, começaram os problemas. Os inquilinos da casa vizinha perturbam devido ao barulho”, diz.
Os moradores da casa adjacente fazem muitas festas em que o som é alto. Roberto já chamou a polícia diversas vezes, mas o problema continua. “Chegou a um ponto em que às sextas, sábados e domingos a gente não conseguia dormir mais. As crianças não conseguiam dormir porque o barulho era ensurdecedor”, reclama.
Se pedissem para abaixar o volume da música, os vizinhos respondiam com grosserias, segundo Roberto. “Não tem o que a gente fazer. Estamos sempre sendo prejudicados e não podemos fazer nada. Tudo o que gente faz, em vez de melhorar, só piora”, lamenta.
Até mesmo o “anjo da guarda” do Parque São Geraldo, o aposentado Nestor Gonçalves da Silva, tem problemas com vizinhos.
Ele mora no bairro há mais de 30 anos e é conhecido por estar sempre disposto a ajudar os vizinhos nos problemas elétricos ou hidráulicos das casas.
A qualquer hora do dia, ele sai para desentupir esgoto, reparar parte elétrica etc. Toda semana tem gente solicitando a ajuda amiga de Nestor. “Eu gosto. Estou sempre pronto para ajudar”, confirma.
O aposentado tem bons relacionamentos com todos na vizinhança, exceto com uma pessoa. “Tem só um vizinho que não é muito bom, não. Jogaram pedra na casa dele e ele falou que fui eu. Ele deu parte de mim”, lamenta.