A ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, está interditada há seis meses. Até agora, ainda não está esclarecido se a responsabilidade pelas rachaduras surgidas na estrutura e que levaram à interdição é da Prefeitura de Bauru ou da empresa que construiu a ponte, a Toffer Engenharia.
Várias análises foram feitas pelo perito indicado pela Justiça, mas o processo de pedido antecipado de provas aberto pela prefeitura ainda não foi concluído. A ponte, que custou cerca de R$ 250 mil, foi entregue em setembro de 2000, véspera da eleição que reelegeu Nilson Costa (PTB) prefeito de Bauru.
Enquanto o caso tramita na Justiça, os motoristas que usavam a ponte são obrigados a percorrer vários quilômetros a mais para chegar de uma região à outra. Josefa Luíza Garcia de Jesus, líder comunitária do Jardim Chapadão, diz que os moradores da região do Mary Dota fizeram abaixo-assinado solicitando o conserto imediato da ponte.
“Vamos entregar o abaixo-assinado na Câmara, mas a gente só acredita no conserto quando a ponte estiver liberada”, diz. Waldir Caso, diretor de cidadania da Sociedade de Amigos pela Cidadania e Meio Ambiente, também reclama da demora na recuperação da ponte.
Ele lembra que mais de 30 mil pessoas ficaram sem a opção de ligação entre o Mary Dota e o Distrito Industrial que a ponte Ayrton Senna representava. “É terrível não saber de quem é a responsabilidade pelo problema. Mas o que queremos é que a ponte seja consertada logo e depois cobrem do responsável. Mas infelizmente achamos que isso ainda vai demorar mais seis meses. Só ficará pronta no final do ano”, estima.
Além dos motoristas, Caso frisa que comerciantes estabelecidos próximos à ponte estão sendo prejudicados. “Sem o movimento que a ponte gerava, as vendas caíram”, diz. Antônio Carlos Duarte, secretário municipal de Obras, afirma que a recuperação da ponte deve começar provavelmente na próxima semana, como a prefeitura havia anunciado dias atrás, antes mesmo da Justiça apontar o responsável pelas rachaduras.
Ele cita que já foi concluída a licitação para a primeira etapa da recuperação da ponte. A empresa vencedora da licitação é a Sondosolo Geotécnica Engenharia, que cobrará R$ 127 mil para fazer o reforço das estacas que sustentam a estrutura.
“Já estamos preparando o local para o serviço. Fizemos uma ensecadeira (aterro com terras e pedras para manter o local seco) na cabeceira do lado do Mary Dota para o início das obras”, conta. Porém, a prefeitura precisa de autorização judicial para começar os serviços na ponte. “Achamos que não haverá problema porque o perito já teria liberado a ponte”, explica.
A segunda etapa para a recuperação da ponte, que também precisará ser licitada, será a construção de blocos sobre as estacas. De acordo com Duarte, se ficar concluído que as rachaduras surgiram devido a erro da construtora responsável, a prefeitura poderá acioná-la para ressarcir o valor gasto na recuperação da ponte.
A saída encontrada por muitos moradores da região do Mary Dota que trabalham no Distrito Industrial foi ir a pé para o trabalho, de acordo com Carlos Gregório, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Leste. “Com a ponte interditada é preciso dar a volta pela Rodrigues Alves para chegar ao Distrito Industrial, o que aumenta muito o gasto com combustível”, lembra.