09 de julho de 2026
Cultura

Memória do rádio

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Famoso comentarista esportivo na década de 80, o falecido radialista bauruense José Carlos Galvão de Moura não passa despercebido pelos amantes do rádio. A prova é que as edições de um dos seus principais programas, “Samba e Bola”, que são veiculadas atualmente pela Rádio Auri-Verde, foram, ao longo dos anos, gravados pela emissora AM em dezenas de fitas magnéticas.

Guardado no Centro de Memória Regional Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Rede Ferroviária Federal (RFFSA), o material sonoro de Galvão de Moura foi doado pela instituição ao radialista e memorialista bauruense José Esmeraldi.

“São cerca de 40 fitas magnéticas dos anos 80; cada uma com pelo menos duas horas de duração”, conta o coordenador do Centro de Memória, João Francisco Tidei de Lima. Ele explica que a instituição - existente desde 1992 e que preserva documentação ferroviária, como álbum de fotografias, livros, revistas e jornais antigos - não possui estrutura adequada para abrigar o acervo sonoro de Galvão.

“O material é de natureza diferente daquele que nós temos no nosso arquivo e as fitas poderiam se deteriorar. Então decidimos ceder o material para o Esmeraldi, que tem condições de guardar, preservar e também divulgá-lo”, aponta Lima, destacando que, futuramente, as fitas magnéticas serão gravadas em fitas cassete ou CDs, no estúdio particular de Esmeraldi.

Apresentador de quatro programas ligados à história do rádio nas emissoras Auri-Verde e Unesp, Esmeraldi pode ser considerado um dos maiores colecionadores de raridades do rádio em Bauru. Além de coordenar o projeto “Estação Memória” e possuir um site eletrônico (www. estacaomemoria.hpg.com.br) sobre o tema, o memorialista mantém, em sua casa, um estúdio e uma mini-discoteca, que abrigam algumas pérolas do radialismo nacional.

“Tenho até um hino nacional cantado por Vicente Celestino”, revela. Seu objetivo é resgatar a memória do rádio no Brasil, através da preservação do trabalho de grandes nomes como Francisco Alves e Orlando Silva. Em Bauru, o “destaque é o trabalho de Galvão de Moura”, aponta Esmeraldi.

“Busco contar a história da rádio no Brasil, mostrar a época de ouro do rádio no País, presente nas décadas de 20, 30, 40, 50 e também o Clube do Gramofone, que reuniu antigos artistas, cantores e compositores do Brasil, alguns até nascidos em Bauru”, afirma o radialista.

“Samba e Bola”

Galvão de Moura, que era repórter esportivo e coordenador de programas noturnos ligados à seresta e aos esportes na Auri-Verde, também trabalhou como ferroviário Companhia Paulista de Estrada de Ferro.

Outra marca registrada da carreira do radialista bauruense é seu livro, “Onze Camisas Futebol Clube”, que conta a história do Esporte Clube Noroeste. “O Galvão viveu intensamente a vida do Noroeste na obra, que pode ser considerada um dos principais documentos que o Noroeste tem”, opina Esmeraldi.

Entretanto, segundo o radialista, a fama de Galvão foi conquistada pelo sucesso de “Samba e Bola”. Criado em 1979, o programa ainda continua sendo veiculado por Esmeraldi aos domingos, a partir do meio-dia e meio até 15h, na mesma emissora a qual trabalhava seu ex-colega de profissão, Galvão de Moura.

“Eu faço programas semelhantes aos que ele fazia. De vez em quando, coloco no ar uma dessas fitas magnéticas que relembram o trabalho de Galvão”, detalha Esmeraldi. “A idéia é essa: resgatar a memória do rádio, e o Galvão faz parte da memória do rádio em Bauru”, diz.