09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Servidores públicos param e rejeitam imagem de 'marajás'

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Servidores públicos municipais, estaduais e federais paralisaram ontem suas atividades em vários segmentos para mostrar ao governo que não aceitam a reforma da Previdência como ela está sendo proposta. Reunidos na praça Rui Barbosa, eles provaram que estão dispostos a resistir e a reverter a imagem de “marajás” que afirmam ter junto à população.

O ato público foi seguido de uma marcha pela avenida Rodrigues Alves até a Câmara Municipal, onde os manisfestantes fizeram mais um protesto unificado.

Segundo os grevistas, a imagem do funcionário público das três esferas está vinculada a altos salários. Reverter este quadro negativo é uma das funções das manifestações públicas dos servidores, explica Sônia Carvalho, do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm).

“Existem 300 servidores no Brasil que recebem salários altíssimos, entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. Os outros 99% recebem salários de R$ 300,00 a R$ 400,00.”

A imagem do servidor junto à população é uma preocupação que pode interferir na luta contra a reforma da Previdência, frisa a sindicalista. “Temos que fazer a população entender que a reforma vai nos prejudicar e, por conseqüência, afetará o atendimento ao público. Num segundo momento, a população de modo geral será atingida.”

A luta iniciada ontem em todo o Brasil tem por objetivo, segundo Sônia, fazer com que o governo federal pense mais um pouco sobre o assunto. “O governo precisa conversar com as categorias e saber o que o trabalhador necessita. Queremos parar a reforma para reestudar os pontos de estrangulamento”, observa Sônia.

Na opinião do representante da Associação dos Agentes Fiscais de Renda do Estado de São Paulo (Afresp), Edson Hurtado Cândido, as manifestações que devem culminar com uma marcha a Brasília pretendem mostrar à população os prejuízos que isso vai causar nos serviços públicos.

“O governo insiste em vincular a imagem do servidor à de marajá. Eu pergunto: Professor é marajá? Funcionário público é aquele que atende o povo.”

O sindicalista reafirma a posição da categoria. “Nós não somos contra a reforma da Previdência. Também queremos acabar com o acúmulo de aposentadorias, mas de outra maneira.”

A paridade dos proventos, a média das contribuições de toda a vida laboral, a redução da pensão e outros pontos de menor potencial motivaram o Sindicato dos Técnicos da Receita Federal a entrar na mesma luta, segundo afirma a representante da entidade, Luciângela Santos Nobre.

Luta

A luta dos servidores públicos deve continuar, segundo afirmam os sindicalistas das três esferas ouvidos pela reportagem. “Hoje (ontem) é o primeiro dia de luta. Algumas categorias já decidiram pela greve por tempo indeterminado, outras vão parar um dia por semana etc. A luta dos professores municipais, estaduais e federais, por exemplo, começa em agosto, no retorno das aulas. Está programada uma marcha para Brasília no final do mês”, avisa Sônia Carvalho.

O Sindicato dos Técnicos da Receita Federal vai definir em assembléia se param durante 48 horas toda semana, ou se deflagram greve por tempo indeterminado.

Os principais pontos dos quais os servidores reclamam em relação à reforma da Previdência são a taxação dos servidores inativos, a retirada da aposentadoria integral e a idade mínima de 55 anos para mulheres e de 60 para os homens se aposentarem.