08 de julho de 2026
Cultura

Resgatando sonhos

Por Ercília Ferraz de Arruda Pollice | Especial para JC Cultura
| Tempo de leitura: 2 min

“A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta, todo amargo é doce” (Provérbios, 27; 7).

Quando nos unimos a alguém, seja em que época for em nossa vida, enchemo-nos de sonhos. A vida parece-nos linda, leve e solta... Nada nos mete medo. O futuro não nos amedronta, e o intuímos como algo maravilhoso a vir, o verdadeiro porvir. A esperança se faz nossa companheira e a alegria mora em nosso coração.

Passamos imbatíveis pelas tormentas, porque juntos somos uma força. Se confiarmos em Deus, então, seremos três, e o cordão de três dobras, não se quebra facilmente.

Contudo, quando perdemos alguém a quem amamos, seja por que motivo for, morte, ou desentendimentos, não importa, nos tornamos frágeis, incompletos, a vida perde o brilho. Como uma avalanche, montanha abaixo, nossa esperança rola.

Um dos dons de vivermos numa verdadeira comunidade, deveria ser, podermos nos abrir, mostrar nossa fragilidade, expor nossa dor, sem medo de mostrarmos fraqueza. E assim, essa comunidade íntima, que nos cerca; família e amigos, poderia nos ajudar a curar nossas feridas.

Esse dom vem de Deus, e precisamos exercitá-lo quando se faz preciso. Porque, todos, de certa forma, passamos situações onde necessitamos nos sentir amados, acarinhados, e encorajados a seguir em frente.

Precisamos de pessoas que nos ajudem a resgatar nossos sonhos, e voltar a ter a alegria, como nossa companheira primeira. A vida nossa de cada dia, nos atropela as prioridades, inverte os valores, e não percebemos aqueles, que junto a nós, estão tristes, solitários e frágeis.

Se faz urgente, que passemos a atentar, para as pessoas e esqueçamos um pouco as coisas. A verdade é que quando amamos, temos o coração pronto a entender os que procuram amor.

Deus nos ajude, neste mundo cru, confusamente inseguro, sem esperança e frio, a realizarmos o milagre da manjedoura, onde apesar das circunstâncias, havia o calor do bafejar dos animais.

Se os corações andam endurecidos, e, nossas possibilidades são exíguas, sejamos novos Moisés, que pela fé, conseguiu com um simples cajado, abrir o mar e tirar água de pedra, para atender o povo que amava.

Fiquemos atentos e prontos a dar nosso abraço ao carente de afeto, nosso ombro ao solitário, nosso sorriso ao triste, pois que há quem nos ensine, que a alma farta, pisa o favo de mel, mas à alma faminta, todo amargo é doce!

(Escritora, poeta, acadêmica da Academia de Letras de Bauru e colaboradora do Ju Machado - Escritório de Arte)