09 de julho de 2026
Articulistas

Invasões preocupantes


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Não pode deixar de preocupar autoridades e opinião pública a forma pela qual os chamados sem-terra vêm reivindicando e defendendo seu hipotético direito à conquista de glebas, por doação dos proprietários ou por ato desapropriatórios do governo. Tem de ser preocupante porque quase todas as arremetidas contra as propriedades alheias têm resultado em conflitos sejam na entrada, sejam na saída dos invasores, uma vez que elas são geralmente tortuosas. Vem o governo procurando suavizar o problema especialmente mediante a aceleração parlamentar das desapropriações dos hectares pretendidos pelos trabalhadores, mas as invasões continuam incessantemente por parte, então, dos que não aguentam suportar a demora, por mínima que seja, do recebimento daquilo a que aspiram. O próprio chefe da Nação tem buscado, recorrendo a atendimentos apaziguadores, conseguir trégua dos inúmeros integrantes do Movimento dos Sem Terra, sem, contudo, lograr algo de positivo, haja vista que em várias regiões de alguns Estados, dotados de terras apropriadas, especialmente Paraná, as penetrações não cessam e têm acontecido em proporções e estilos verdadeiramente contundentes, porquanto os revides dos proprietários já não são suaves como antigamente, quando eram aceitos sem a menor reação e os donos até procuravam facilitá-las. Alguns, inclusive, generosamente financiavam os primeiros plantios, sem pretensão de retorno. Daí, a preocupação com que a sociedades acompanha o desenrolar dos acontecimentos e ta mbém as naturais providências governamentais para resguardar os bens alheios. A problemática é tão mais grave porque dos entreveros entre invasores e invadidos têm resultado inevitáveis vítimas pessoais, fatais inclusive, o que os empurra para uma esfera policial de consequências assás complicadas. Considerar-se-ia isso a violência urbana se transferindo para a rural com implicações jurídicas que infernizam a vida dos envolvidos, a partir do que se tem de convir que as invasões não contêm, de forma alguma, um mínimo das compensações sonhadas pelos trabalhadores, aos quais competiria então esperar pelas doações legais tranquilamente sem fazerem infiltrações antecipadas naquilo que não lhes pertence. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)