07 de julho de 2026
Turismo

Águas doces e salgadas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Os índios Tupis, maravilhados com a natureza, chamaram Maceió de Maçayo ou Maçai-o-k: o que tapa o alagadiço. E é assim mesmo Maceió, uma cidade cercada de águas, sejam elas doces ou salgadas.

A Capital teve origem num antigo engenho de açúcar, por volta do século 17. Seu desenvolvimento veio através da chegada de navios que levavam madeira da Enseada de Jaraguá. Com o surgimento dos engenhos, Maceió passou a exportar açúcar, depois fumo, coco, couro e algumas especiarias.

A prosperidade fez com que, em 5 de dezembro de 1815, o povoado se tornasse vila. E em 9 de dezembro de 1839, Maceió já era a Capital da Província de Alagoas. Hoje, a imponência de uma época ainda se faz presente na arquitetura do bairro de Jaraguá, com seu casario, porto e armazéns.

Contrastando seu estilo histórico com a moderna cidade, Maceió oferece ótima infra-estrutura para eventos, congressos e convenções.

Mas as paixões que a Capital alagoana não cansa de provocar vêm mesmo do seu litoral privilegiado, seu mar azul, de águas calmas feito piscina, de arrecifes, de coqueirais e de uma natureza que a faz uma das mais impressionantes capitais do País.

Os recifes de corais estão entre os mais impressionantes atrativos do litoral alagoano. Formam piscinas mar adentro, viveiros naturais de peixes coloridos, ouriços, estrelas-do-mar, conchas e esponjas.

Por sua importância para o equilíbrio ecológico, foi criada em Alagoas uma Área de Proteção Ambiental (APA), entidade de âmbito federal que cuida da proteção marinha num trecho de 410 mil hectares.

Embora seja um dos menores Estados brasileiros em termos de dimensão territorial, Alagoas reserva aos turistas um dos mais belos cartões-postais do País. Seu litoral tem 230 quilômetros de extensão, com destaque para praias paradisíacas, algumas ainda intocadas, coqueiros a perder de vista, manguezais e inúmeras lagoas de água cristalina.

A cor de seu mar é destaque, indo do azul intenso ao verde esmeralda. Essa policramia faz com que seu mar seja comparado ao do Caribe com muitos pontos a favor: sem furacões, tormentas e vendavais.

Rumo ao calçadão

A orla urbana de Maceió vai das praias de Cruz das Almas a Pajuçara, lugar onde todos se encontram para caminhar, conversar, curtir o mar e a areia ou agitar nos inúmeros quiosques espalhados por mais de cinco quilômetros.

Os nativos e os turistas fazem do calçadão um ponto de encontro e um dos cenários mais animados e movimentados da cidade. À noite, é tanta gente bonita caminhando ou malhando na ciclovia, que o espaço torna-se pequeno. O som rola nos quiosques, convidando para alegria e a descontração.

As praias de Ponta Verde, Pajuçara, Sete Coqueiros e Jatiúca fazem parte do complexo urbano. É nelas que estão localizados os principais hotéis de Maceió, caso do resort e flat Jatiúca, cercado de muito verde.

A piscina natural mais famosa do trecho urbano fica na praia de Pajuçara. Diariamente, pela manhã, partem da praia inúmeras jangadas coloridas levando turistas para banhos reconfortantes. As piscinas são formadas pela maré e os arrecifes que cortam toda a costa marítima alagoana.

A travessia leva poucos minutos e por si só já vale o passeio: as jangadas são seguras e comandadas por jangadeiros, que entre uma conversa e outra, sempre têm uma história de pescador para contar.

Além disso, vão repassando aos visitantes dados da cidade, do ecossistema marinho, de como o vento atua no comando da embarcação e o porquê de existir um horário determinado para o retorno à terra firme. Quando a maré sobe, as piscinas naturais somem, já que os arrecifes são cobertos pelo mar.

Como a culinária alagoana é uma das mais ricas do Nordeste brasileiro, fartura e sabor são oferecidos aos turistas que vão às piscinas naturais de Pajuçara. Garçons marinhos servem de tudo nas embarcações, transformando o dia em um verdadeiro banquete.

Adornada por arrecifes, a praia de Pajuçara é o ponto mais visitado pelos turistas que chegam a Maceió. As piscinas naturais que se formam na maré são um convite irrecusável ao prazer, pois proporcionam banhos revigorantes, que ficam ainda mais irresistíveis quando se tem a oportunidade de conferir a beleza submersa dos corais, organismos marinhos multicoloridos e de formações no mínimo curiosas que habitam as águas límpidas e mornas da Pajuçara.

A sua vizinha, Ponta Verde, além de ser considerada a de maior movimentação do trecho urbano, destaca-se pela tonalidade do seu mar, que mistura tons de verde e azul intenso, marca característica do Oceano Atlântico naquele ponto do litoral nordestino.

Na seqüência, fica a praia de Jatiúca, que tem mar mais agitado e águas verdes e transparentes disputadas por inúmeros surfistas.

Jatiúca, que na língua indígena significa carrapato, há alguns anos era apenas um sítio de coqueiros distante da cidade, sem ruas asfaltadas e poucos moradores. Com o crescimento do turismo, a praia despontou-se no cenário de Maceió, passando a contar com um dos complexos hoteleiros mais completos do Nordeste: o Jatiúca Resort e Flat.

Hoje, além dos hotéis, abriga um bairro progressista com muitos edifícios modernos, avenidas, estabelecimentos comerciais e uma praia quase virgem.

Separada de Cruz das Almas pela Lagoa da Anta, possui arrecifes perto da orla, sendo propícia para a prática de pesca de arrastão, arremesso e linha de vara. Seu mar agitado é excelente para o surf, atraindo nos finais de semana uma grande quantidade de banhistas.

Para atender aos visitantes, existem ao longo de sua orla inúmeras barracas, que funcionam o dia todo, e muitas delas com música ao vivo durante a noite.

Vizinho de Ponta Verde e Pajuçara, o resort Jatiúca tem duas características que se completam: está envolto em uma enorme e agradável área verde e, ao mesmo tempo, fica em uma região totalmente urbanizada.

Depois de caminhar pela orla movimentada da cidade, o hóspede encontra seu refúgio tranqüilo em meio a exuberância das instalações.

Artesanato no Pontal

Quem vai a Alagoas não pode voltar para casa sem uma peça do seu rico artesanato. O Pontal da Barra, no Litoral Sul, é uma vila de rendeiras que oferece aos visitantes peças de origem portuguesas, de muito bom gosto, como toalhas de mesa, toalhinhas de bandeja, colchas, xales e blusas.

Ali - o Pontal fica próximo às lagoas de Mandaú-Manguaba - os turistas também podem adquirir redes, as tradicionais garrafinhas com areia colorida e o vestuário típico de Alagoas.

Já no Litoral Norte, a dica fica por conta do artesanato de palha e dos bolos e quitutes à base de coco, milho e mandioca. Se você caminhar um pouco mais, pela AL-101 Norte, não deixe de comprar as frutas tropicais do Estado e baciadas de lagostas.

Gunga e Francês

Quem já foi a Maceió não cansa de tecer elogios a duas praias: Gunga e do Francês.

E elas merecem mesmo. São belíssimas e figuram entre as melhores do Nordeste brasileiro.

Ficam no Litoral Sul de Alagoas e nos finais de semana fervilham de gente bonita e bronzeada que mostra o seu valor. A praia do Gunga faz parte de uma propriedade particular muito bem cuidada.

Há escunas e barcos que levam os turistas aos arrecifes e manguezais da região, com direito a parada para banho num banco de areia. O passeio custa em média R$ 15 por pessoa e dura uma hora e meia.

Pelo mesmo preço pode-se ir de lancha a piscinas naturais. Quem preferir um buggy, andando nove quilômetros pelas falésias, vai pagar R$ 20 por passageiro.

• Serviço

A VASP tem passagens com preços promocionais para Maceió, saindo de São Paulo. Consulte seu agente de viagens ou o telefone 0300-789-1010.