09 de julho de 2026
Geral

Mulheres não conseguem vaga no SUS

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Maria Aparecida Cervati Dutra, de 48 anos, e Vera Lúcia Lopes Forte, 43 anos, estão passando por dificuldades semelhantes. Há meses, ambas esperam atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e não conseguem resolver seus problemas em razão do número de cotas estabelecidas para o município de Bauru.

A situação tem atingido de forma preocupante a Maternidade Santa Izabel e o Instituto da Mama. As cotas são a quantidade máxima de exames e procedimentos autorizados pelo SUS, com garantia de pagamento às unidades de saúde, como hospitais e postos.

Há um ano, Vera Lúcia sente dores na região abdominal e vem sendo atendida pelos médicos do posto de saúde próximo à sua casa. Nos últimos meses, as dores aumentaram e os médicos continuam insistindo que ela faça uma mamografia e uma ultra-sonografia endovaginal para constatar o motivo do problema. “Eles poderiam fazer um exame mais simples, como o papanicolau, mas como eu tirei o útero, não tem onde coletar o material para exame”, conta Vera.

Os dois procedimentos são realizados pelo SUS na Maternidade Santa Izabel e no Instituto da Mama.

De acordo com José Cardoso Neto, administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), da qual fazem parte a maternidade e o Instituto da Mama, existem dois mamógrafos disponíveis para atendimentos pelo SUS. Porém, o aparelho instalado no instituto apresenta problemas e aguarda por conserto.

“Isso não altera em nada o atendimento, pois as pacientes são direcionadas para a maternidade, a 30 metros de distância, onde o mamógrafo está funcionando perfeitamente”, afirma.

Cardoso Neto esclarece que a maternidade possui 400 cotas de mamografias e 400 para ultra-sonografias. “As cotas são baixas, e temos que trabalhar com elas assim. Mas não temos filas, o atendimento está dentro da normalidade”, diz.

Vera Lúcia está esperando desde o ano passado para ser chamada pela maternidade para realizar os exames. “E se eu continuasse esperando e essa dor for alguma coisa mais séria, como um tumor? Minha sorte é que minha patroa decidiu me ajudar e pagar os exames. Sem eles, o médico não pode pedir urgência no tratamento”, diz Vera.

Agenda cheia

Um médico que atendeu Maria Aparecida no posto de saúde próximo ao seu bairro descobriu, há seis meses, que ela tem um mioma, uma espécie de tumor muscular, na região abdominal. “O médico me orientou a procurar a maternidade para tentar marcar a cirurgia, mas eles não estavam agendando na época. Procurei uma assistente social, que me indicou outra, que indicou outra. Já estou até desanimada, um empurra para o outro e ninguém resolve nada”, desabafa.

Maria Aparecida conta que pagou para realizar a ultra-sonografia que detectou seu problema. Com a ajuda da filha, ela conseguiu agendar para o próximo dia 28 uma consulta com um médico da maternidade, mas ainda não está confiante. “Meu medo é que vai chegando perto do dia e eles desmarcam a consulta, como já aconteceu outras vezes. Dizem que não tem mais vaga”, afirma.

Sua reclamação principal, no entanto, é quanto à nova consulta com um médico diferente. Mesmo tendo passado por um profissional no posto de saúde, é necessário que cada paciente tenha uma nova consulta com um médico do hospital para onde foi encaminhado.

“Os postos têm a nossa senha e encaminham para a maternidade. Então, a paciente vai passar por um médico de novo, pois seu tratamento será totalmente administrado por aqui. Cada um agenda uma data e é atendido no dia marcado”, esclarece Cardoso Neto.

O titular da Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, explica que a nova consulta é necessária porque será um médico diferente o responsável pela cirurgia. “O médico e o paciente precisam se conhecer. O procedimento é esse mesmo.”

O presidente regional da Associação Paulista de Medicina, José Henrique de Oliveira Godoy, opina que a demora nos procedimentos aos pacientes do SUS seria solucionada com o aperfeiçoamento da comunicação. “É a falta de comunicação entre os postos e os hospitais maiores o grande problema. A informatização do processo agilizaria o trabalho dos médicos e o atendimento dos pacientes”, afirma.

“Eu sei que terei que passar por outro médico para resolver meu problema. Mas continuo esperando, e tenho medo desse mioma começar a crescer e piorar. Sinto muita dor na barriga, às vezes não consigo nem lavar a louça. Espero que eu consiga ser atendida neste mês”, diz Maria Aparecida, cansada.