A cada ano que passa o governo brasileiro vem arrecadando mais impostos, taxas e tributos da população brasileira, em especial da classe média, pois a classe pobre não tem salário em carteira e a classe dominante paga menos impostos do que deveria, em geral.
O que a grande maioria não percebe é que desde o governo Collor, passando por Itamar Franco e as duas gestões de FHC, foram privatizados os antigos serviços públicos.
Ou seja, a telefonia, energia elétrica, siderurgia, ferrovias, bancos etc., não estão mais sob o comando do governo federal, o que deveria, em tese, diminuir o peso dos impostos que pagamos. Mas ao contrário, a sanha arrecadadora faz com que até o PT defenda o aumento das alíquotas do IR, da permanência da CPMF como definitiva nesse cenário desolador que estamos vivendo há muito tempo.
Não existe limite para os nossos governantes, independente de partido político. Na oposição, todos comungam com a idéia de que não é mais possível a população arcar com uma carga tributária tão elevada recebendo em troca um retorno quase zero em termos de serviço público. Entretanto, ao assumirem a situação, esses mesmos políticos se transfiguram e viram mutante, passando a defender o indefensável.
Se levarmos em consideração que o desemprego atinge algo em torno de 20% da população economicamente ativa, que 10% dessa mesma população está na economia informal, que a grande maioria da elite brasileira possui mecanismos para a prática da sonegação, chegaremos a triste conclusão que a classe média assalariada paga o pato e os impostos pela grande maioria.
Sem contar que desde a hora em que acorda até o momento em que vai dormir, essa mesma classe média paga uma fortuna em impostos indiretos nos alimentos que consomem, nos produtos de higiene pessoal, no transporte público, no seu vestuário, na educação de seus filhos, no combustível adulterado que usa em seu veículo, enfim, em tudo que faz parte de seu cotidiano.
A lua-de-mel com a gestão Lula tem data e hora para acabar, e esse momento é exatamente aquele em que sua equipe econômica conservadora anunciar a intenção de aumentar ainda mais a carga tributária. Pois não é possível que essa gente estivesse vivendo em Marte nos últimos 20 anos e não viu e sentiu na própria pele o sacrifício ao qual foram submetidas a grande maioria das famílias brasileiras.
Além de não haver distribuição de renda, além da renda per capita do trabalhador ter caído vertiginosamente, acrescer mais um centavo de imposto sem nenhuma contrapartida é querer colocar o PT no mesmo patamar do PFL, do PSDB, do PMDB e de tantos outros partidos fisiológicos que discursaram a favor do povo e o apunhalaram pelas costas cinco minutos após tomarem posse em Brasília. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)