10 de julho de 2026
Bairros

Iniciativas se multiplicam nos bairros

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

As iniciativas que têm como objetivo final a formação de cooperativas estão se espalhando pelos bairros de Bauru. Além do grupo de artesãs do Parque Real e dos catadores de materiais recicláveis, há os carroceiros do Núcleo Mary Dota e artistas que reúnem-se no Centro Cultural.

Aparecido Quirino Cláudio, presidente da Associação dos Carroceiros, afirma que em breve a organização, que conta com mais de 70 integrantes, se transformará em uma cooperativa de reciclagem.

A intenção é montar uma área própria para a triagem dos materiais e para promover atividades, como aulas de alfabetização e trato dos animais. “Vai depender de trabalhar junto. Tem que ter união porque uma andorinha sozinha não faz nada”, diz.

Além disso, a organização da classe vai evitar, na opinião de Quirino, que os carroceiros joguem lixo em terrenos baldios. “Nossa atividade está fraca porque os carroceiros não acham material. O caminhão passa na frente. Os carroceiros têm que se virar com entulho”, diz.

Quirino está desempregado porque seu cavalo morreu. Atualmente, sobrevive de bicos. “A cooperativa vai gerar emprego para muita gente que não tem ordenado. Montando a cooperativa, há solução”, acredita. “Não podemos perder as esperanças”, acrescenta.

Shirley Narcisa da Silva, vice-presidente da associação, tem a mesma opinião. “Vai ajudar muito. Vai tirar muita gente da rua. Vamos lutar juntos e eu tenho certeza de que vai dar certo”, expõe.

Cultura

Artistas de diversos segmentos (música, artes plásticas, teatro etc) estão organizando-se com o objetivo de formar uma cooperativa. Há pouco mais de um mês, eles reúnem-se semanalmente no Centro Cultural.

“Através da cooperativa, vamos poder buscar várias assessorias - como a fiscal, para regulamentar nossas situações como autônomos. Temos dificuldade em conseguir apoio e patrocínio e a cooperativa conta com leis de incentivo”, expõe o ator Júlio Hernandez.

Ele diz que o trabalho deve se concretizar em médio prazo. “É difícil. Não é imediatista. O artista tem que se empenhar muito”, afirma.

O ator mostra-se esperançoso quanto à iniciativa. “A cooperativa vem para dar dignidade à profissão do artista. Somente com essa união vamos conseguir mudanças”, acredita.

O ator Fábio José Torres, 27 anos, integrante da ONG Quilombo do Interior, destaca a importância da cooperativa na organização do grupo de artistas. “Nossos trabalhos terão mais visibilidade. Juntando forças, a gente consegue isso”, opina.

A cantora Ana Person espera que a futura cooperativa de artistas de Bauru seja uma caminho para a colocação do trabalho local no mercado externo. “É uma organização necessária. Como toda classe, precisamos nos organizar para chegar a outros lugares”, salienta.

Na opinião do secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, os artistas de Bauru carecem de organização jurídica. “É necessária uma organização que possibilite o reconhecimento do trabalho profissional. A parte jurídica é algo necessário, em primeiro momento. É a formalização do trabalho artístico”, observa.

Losnak conta que a Secretaria de Cultura deu apenas o pontapé inicial para o grupo, organizando um workshop sobre cooperativismo. O evento foi realizado em maio deste ano e ministrado por um consultor do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).