11 de julho de 2026
JC Criança

Garotas e garotos dividem espaços, mas nem sempre as brincadeiras

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

O tempo passa e muita coisa muda, mas alguns conflitos da infância permanecem, mesmo no século 21. É verdade, desde os tempos mais antigos meninos e meninas têm momentos reservados. No passado, a “separação” de brincadeiras entre menino e menina era muito maior, mas ainda acontece, o que é muito normal.

As meninas têm necessidade de passar certo tempo brincando sem os garotos, talvez até como uma questão de sobrevivência. “Eles atrapalham as nossas brincadeiras e ficam falando o tempo todo”, contam as garotas.

Larissa Leite da Cruz, 9 anos, também reclama. “Quando a gente brinca de Barbie eles ficam jogando os monstrinhos, atrapalhando. A gente brinca separado, mas não se larga”, acrescenta.

Marcelo Fernandes Baca dos Santos, 9 anos, conta que há atividades que só os meninos gostam. “Não dá para a gente brincar de Barbie, não é? Isso é coisa de menina. Os meninos têm outras brincadeiras, como ‘hominho’, baralho yu-gi-oh”, explica o garoto.

Caroline Obeda Bini, 11 anos, acha que os meninos exageram. “Eles fazem brincadeiras de mal gosto. E falar palavrão é coisa de menino”, comenta.

Já a garota Bárbara Carvalho Neves, 8 anos, conseguiu até convencer o primo a brincar de Barbie. “Só que ele faz o papel de cachorro”, diz a menina. Diferente de muitas garotas, Bárbara teve coragem de enfrentar um time inteirinho de meninos para treinar futsal no Colégio São Francisco, onde estuda.

“Eu queria fazer e comecei a freqüentar na primeira aula. Só tinha menino. No começo, eles nem passavam a bola para mim, ficavam bravos que eu não conseguia pegar as bolas quando estava no gol”, lembra. Depois, outras meninas entraram no time: Bárbara Pavão, Bia e Thayara deixaram a equipe mais equilibrada. “A gente treina bastante e ficou melhor”, comenta Bárbara.

A forte relação de amizade entre meninos ou meninas é bastante natural. Desde cedo é comum ter a “minha melhor amiga”, uma pessoa com quem trocam segredos e idéias. Os meninos também agem da mesma forma.

Na verdade, essas “briguinhas” da infância e uma competição saudável ,que nunca devem ser recheadas de violência. Brincadeiras que machucam ou ofendem têm de ficar de fora. É sempre bom lembrar que, às vezes, uma palavra machuca muito mais do que um tapa. Na infância, é comum um inventar apelido para o outro, atividade que é mais intensa nos meninos, mas não pode exagerar.

É possível que um apelido que pode parecer bobo para você seja ofencivo para quem é apelidado. O Cláudio de Aquino Maione Júnior, 9 anos, por exemplo, comenta que não gosta de algumas brincadeiras da irmã: “Não suporto quando ela aperta as minhas orelhas”, comenta.

A irmã Noemi Moraes Mione, 10 anos, revida: “Os meninos são muito pegajosos!” Mas depois, ela confessa: “A gente não desgruda, às vezes tem uns tapinhas e é só”.

Isso acontece entre todas as amizades, informam o grupo de meninas. “É comum ter uma discussão, nem sempre todos concordam e aí sai uma ‘briguinha’, mas depois de cinco minutos passa”, comentam.

Todos juntos

Mesmo com os “clubinhos” de Bolinhas e Luluzinhas espalhados por aí, sempre há os momentos de convivência entre eles. Como no passado, eles se reúnem para as brincadeiras coletivas, como pega-pega, polícia e ladrão, esconde-esconde.

Uma brincadeira que o grupo aproveita para brincar no residencial onde mora é quadradinho. “É um tipo de cobra-cega no trepa-trepa”, explicam. Talvez um adulto mais esquecido não entenda, mas é assim: o grupo fica no trepa-trepa (brinquedo do parque) e apenas um tem os olhos vendados. Este tem que pegar os demais e descobrir quem é quem na brincadeira.

Juntos, eles também paqueram. A maioria das crianças tem um paquerinha. Ou melhor, eles arrumam para os amigos, mesmo que eles não queiram. É o caso de Noemi, que “ganhou” de presente do irmão Júnior o paquera Giulin Lucas Arruda Garcia, 9 anos. “Ele é meu amigo e comecei a chamá-lo de cunhado. Ele gostou e chama a minha irmã de namorada”, conta Júnior. Quem não gosta da história é Noemi, que afirma não paquerar Giulin.

Nessas histórias de paquera, sempre tem um cupido. Lívia é a “cupida” da turma. Só não arruma um paquera para ela. “Eu descolo paqueras para todas as minhas amigas e acabo ficando sem nenhum”, brinca a menina.

Bárbara Neves lembra que na escola as turmas se misturam para brincar. “Têm meninas que ficam separadas, preferem ficar no grupinho das ‘patricinhas’, mas a maioria entra no pega-pega. É um monte de gente”, acrescenta.

A turminha do condomínio finaliza dizendo que o mais importante de tudo é brincar, mesmo com os “arranca-rabos”. “Os amigos são muito importantes”, concluem.