O hábito de fazer piqueniques, tão comum nos Estados Unidos e em algumas regiões da Europa e que durante muito tempo era corriqueiro também nos parques brasileiros, pôde ser revivido ontem, durante o Churrasco Vicentino tradicionalmente realizado em Bauru, na sede da Vila Vicentina.
Apesar da estrutura da festa oferecer um restaurante e dispor de um grande setor com mesas no bosque existente no local, muitos dos milhares de freqüentadores assíduos do evento optam por levar de casa uma maleta ou mochila com toalha, utensílios e até algum quitute feito em casa para acompanhar o churrasco.
A cabeleireira Zilda Franco da Rocha Soares foi para a Vila com cinco pessoas da família, e esperava mais quatro. Levou banquinhos, mesinha, toalha, água e uma caixa com pão caseiro salgado e doce para acompanhar as sobremesas.
“Venho ao churrasco há muitos anos. Quando os meus filhos eram pequenos não perdia um, e sempre fizemos piquenique. Depois eles cresceram e a gente ficou um tempo sem vir, mas há cinco anos voltamos a participar todos juntos novamente. Não perdemos nada”, conta a bauruense.
O filho de Zilda, engenheiro civil José Antônio Franco, comenta que o encontro familiar se torna ainda mais importante pelo caráter beneficente da festa.
Com o mesmo pensamento, o engenheiro Fausto César Bertoldo Tigre, acompanhado da esposa Estela e da filha Raíssa - que apresenta sua boneca como Milena -, aponta que o piquenique tem dupla função: variar a rotina e ser solidário. “É uma forma que a gente encontrou de poder ajudar um pouco, já que não temos uma participação tão efetiva durante o ano. A gente aproveita pelo menos um dia, se diverte e colabora com a entidade.”
Entre os apetrechos do piquenique da família estão toalha, pratinhos, garfos, facas, guardanapos, brinquedos para distrair a filha e uma máquina fotográfica para registrar os melhores momentos.
Colaboradora da Vila Vicentina há muitos anos, Josefa Maria Maffei marca presença nos churrascos sem faltar há 12 anos. Ela e os filhos levam até tábua de carne, garfo de churrasqueiro, faca bem afiada e, é claro, a toalha, numa maletinha especial.
“O churrasco é um evento, mas é um dia só. Mas eu ajudo o ano inteiro, estou sempre fazendo doações para a Vila Vicentina”, declara Josefa.
“O churrasco é o dia em que a gente aproveita para fazer piquenique, uma coisa que há muito tempo não se faz mais”, complementa a filha Marilena Maffei.
Presenças
Além da expectativa em atingir um público de 25 mil pessoas ou uma renda de R$ 100 mil, a diretoria da Vila Vicentina estava feliz com a visita do presidente do Conselho Nacional da Sociedade São Vicente de Paula, Carlos Henrique David. Ele almoçou com o grupo, mas em virtude de outros compromissos, não pôde permanecer até o final da festa.
Dirceu Garcia, um dos diretores da Vila Vicentina, comentou no início da tarde de ontem que o dia frio e ensolarado colaborou com a festa. “As pessoas não ficaram em casa e, além do mais, o dia frio abre o apetite. Mesmo assim, devo ressaltar e agradecer ao povo de Bauru que nunca nos faltou.”
Ele explica que a entidade depende da renda dos eventos. Geralmente, o lucro do churrasco ajuda a manter a entidade durante quatro meses. Outra fonte de recursos é a Revoada Vicentina, que através de doações anônimas em envelopes também colabora para a manutenção do abrigo durante o ano, além das contribuições permanentes de empresas, entidades e voluntários.
____________________
Origem
O piquenique surgiu na França do século XVII, como uma refeição na qual cada um levava sua parte. Dois séculos depois, os franceses absorveram do picnic inglês o sentido moderno da palavra: passeios ao ar livre em que as pessoas levam iguarias e utensílios para uma refeição coletiva.
Hoje, é comum ver americanos e turistas fazendo piqueniques no Central Park, em Nova York, mas não se vê toalhas e reuniões no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Os franceses têm até o verbo piquenicar, que na língua deles é pique-niquer.