09 de julho de 2026
Articulistas

Iluminando as noites nacionais


| Tempo de leitura: 2 min

As reformas administrativas endereçadas pelo Executivo federal aos labirintos do Legislativo da mesma categoria estão mexendo violentamente com tais poderes, pois as mais diversas classes sociais não estão perdoando nem um pouco as tendências refratárias de cada uma das Casas. Estão os grupos, todos bem numerosos, que não ficam menos que milhares e até milhões, sacudindo o Planalto, o Senado e a Câmara com uma violência que não tem tamanho, exigindo que seus direitos sejam respeitados como merecem. Questionam: se os órgãos públicos consideram que a atual legislação necessita de atualizações, têm de se obrigar a fazê-las ampla e corretamente, de sorte que a população seja atendida em todas as suas aspirações. Aí estão a Previdência Social e os órgãos tributários eivados de falhas, reclamando uma pletora de emendas para que dissipem as injustiças que carregam em seu bojo, e o Executivo, o Legislativo e o Judiciário precisam então arregalar os olhos para elas, conforme pleiteiam as mobilizações populares em franca ebulição nos quatro pontos cardeais do País, notadamente quanto ao sistema de aposentadorias e pensões. Neste terreno, como piorar os proventos no lugar de melhorá-los a fim de que a fome desapareça do estômago de milhões de menores e adultos malsinados pela debilidade dos reais que caem em seus bolsos sem potencialidades para comprar alimentos e muito menos remédios para seus doentes? Reduzi-los seria majorar as precariedades que a população nacional já não suporta, ainda que tenha o desejo patriótico de modificar o desenvolvimento urbano, que a deixou totalmente à margem dos benefícios sociais mais prementes, algo que não se detecta nos demais países pobres do mundo, igualmente problemáticos como o nosso.

Que os estudos das reformas não se encolham e nem se coloquem indiferentes às necessidades populares, exatamente quanto aos índices afins, paralisados há seis anos, além dos quais há nas esferas sociais outras para ser socorridas, entre elas a da educação (carência de escolas, educandários, creches etc.); moradias (casas precárias, barracos, favelas etc.), medicina preventiva (saúde, higiene etc.); além de liberdade política, diante dos quais se parte para a certeza de que ainda falta muito para que o País se sinta sem necessidade de mais conquistas para melhorar seu “status” e, então, se inserir inteiramente no espírito da independência que Pedro I lhe proclamou há 181 anos, abrindo-lhe um luminoso clarão que, no entanto, ainda lhe parece noite escura no coração do tempo. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)