O presidente do diretório municipal do PPS, Rubens de Souza, antecipou que um dos assuntos que serão discutidos durante a reunião do partido, no próximo sábado, às 9h, no Fenícia Hotel, é a manutenção do apoio ao governo do prefeito Nilson Costa (PTB). “Não dá mais para ter várias secretarias e, ao mesmo tempo, não possuir nenhuma”, opina.
Segundo Souza, os cargos ocupados pela legenda na administração municipal estão nas mãos de pessoas ligadas muito mais ao prefeito do que ao partido. “O pessoal tem que sair de cima do muro. Quem quiser ficar com o Nilson, tudo bem, mas o PPS também quer o direito de trocar os seus quadros”, revela.
O deputado estadual Arnaldo Jardim, uma das lideranças do PPS em São Paulo, defendeu uma posição paralela quando o prefeito deixou o partido, em maio, migrando para o PTB. Ele afirmou que não aceitaria que Nilson continuasse mandando no PPS mesmo estando em outra legenda e que o partido adotaria uma postura independente.
Na época, Nilson iniciou uma reforma administrativa, cuja segunda etapa terminou na semana passada, afastando sete secretários vinculados ao PPS.
Souza afirma que não quer o direito de indicar nomes, e sim o de ser consultado com relação aos cargos. “Não queremos interferir na administração do Nilson. Vamos respeitar o que ele definir politicamente, desde que sejam pessoas mais próximas e identificadas com a linha do partido”, declara.
Para isso, ele revela que aceita até mesmo uma diminuição do número de cargos ocupados pelo PPS no governo. Segundo Souza, atualmente são filiados à legenda os secretários da Agricultura, Cynise Pereira Leite e Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, e o presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Constante Mogione. O partido tem ainda mais de uma dezena de cargos no segundo escalão.
Caso a proposta seja rejeitada por Nilson Costa, o presidente do PPS diz que o partido deixará o governo. “É um direito democrático dele rejeitá-la, mas neste caso bateremos em retirada. Você não pode participar do governo politicamente e, ao mesmo tempo, não participar administrativamente”, afirma.
Durante a reunião de sábado, outro tema em debate será as eleições municipais de 2004. “Queremos estruturar o partido, chamando novos filiados para a disputa. A minha opinião é que deveremos lançar um candidato próprio”, diz Souza.
O presidente do PPS indica os vereadores José Carlos Zito Garcia e Edmundo Albuquerque, além da ex-candidata à deputada federal, a médica Eliane Fetter Telles Nunes como possíveis nomes para encabeçar a chapa a prefeito.
Entre os novos filiados que serão apresentados no sábado, Souza destaca líderes comunitários de bairros da cidade. Os resultados do encontro serão encaminhados à direção estadual do partido. “Irei a São Paulo junto com os dois vereadores e alguns membros da Executiva para apresentar essas soluções para 2004”, diz.