08 de julho de 2026
Geral

Aumenta o número de vítimas que registram ataques de cães

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Mais duas pessoas foram atacadas por cães em Bauru. Um dos cachorros é de raça indefinida e outro, um fox paulistinha. Ambas as vítimas sofreram lesões leves, mas mesmo assim procuraram a polícia para registrar o caso. O delegado-titular do 1º Distrito Policial, Ronaldo Divino, acredita que a divulgação dos casos é que incentiva as vítimas a registrarem o fato em boletim de ocorrência.

Responsável pela área oeste da cidade, onde foram registrados os casos mais graves de ataques de cães ocorridos neste ano em Bauru, o delegado acredita que o trabalho de divulgação feito pela mídia é que incentiva os registros na polícia. “Nem todos os casos são enquadrados como lesão corporal dolosa. A maioria é enquadrada como termo circunstanciado que, no final, é revertida em prestação de serviço a comunidade”, conta.

Já os casos de lesão corporal culposa podem resultar em condenação criminal do dono do animal que fez o ataque e em indenizações para a vítima, lembra o delegado. Depois de transitar em julgado, a condenação por lesão corporal torna-se um título executivo para o pedido de indenização por danos. “Eu não acredito que isso tenha se tornado uma indústria de indenizações”, opina Divino.

Ele ressalta que são raros os casos em que se consegue provar a culpa do dono do animal. “Só em casos em que o cão é sabidamente perigoso e o dono não tomou as devidas cautelas em sua guarda”, explica.

Amanda de Pietro dos Santos, 4 anos, goi atacada por um cachorro fox paulistinha no final da tarde de anteontem, na Alameda das Paineiras, no Parque Vista Alegre. O cachorro pertencia aos donos da casa onde a menina estava.

O cachorro mordeu a cabeça da criança. Ela foi atendida no Pronto-Socorro Central com ferimentos leves. A outra vítima foi o eletricista Evail Ramos Vidal. Ele foi atacado por um cachorro de raça indefinida que estava preso numa casa da rua Clóvis Barreto Melchert, no Jardim Europa. O cão mordeu o antebraço direito da vítima que, por seus próprios meios, procurou o atendimento médico. Ontem, o eletricista já estava trabalhando.

O menino João Vitor de Souza foi atacado por um pit bull em abril deste ano. Ferido em várias partes da cabeça, costas e no saco escrotal, ele teve que receber cuidados médicos. Os custos do hospital, com remédios e o tratamento psicológico para superar o trauma estão sendo cobrados por sua família na Justiça.

A mãe da criança, Cláudia Carolina Henrique de Souza, explica que os ferimentos físicos não deixaram seqüelas, apenas cicatrizes. Mas o trauma causado pelo ataque persiste. “Meu filho está com acompanhamento da psicóloga. Ele não superou o trauma”, afirma.

O advogado que defende a família estava em São Paulo e não pôde falar sobre o assunto, mas a mãe espera receber os gastos tido com o ataque de um cão de um vizinho. “Eles estão pagando as despesas com a psicóloga e pagaram os antibióticos, mas as despesas do hospital e de outros medicamentos, ainda não recebi”, conta Cláudia. De acordo com a mãe, a audiência criminal está marcada para o dia 30 de outubro.