08 de julho de 2026
Bairros

Vítimas têm reclamações

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

O terreno do aposentado Orlando de Godói, na alameda Turmalina, é um dos inúmeros exemplos das falhas cometidas pela loteadora do Parque Santa Edwirges.

Assim como as demais casas da quadra, a dele está desalinhada com a rua e o terreno não confere com as medidas descritas na escritura. Depois de anos, Orlando descobriu que perdeu 1,20 metro para o vizinho ao lado por falha na demarcação.

O terreno do aposentado foi comprado em 1962. “O loteador, um tal de Leonildo, enganou todo mundo”, lamenta.

Na quadra 2 da alameda Saturno, os lotes invadem a área da rua de forma desordenada. Os postes ficaram no meio da viela que sobrou para trânsito de pedestres (não passam carros) e os bicos de iluminação ficaram sobre as casas do quarteirão.

O morador Ademir Bonifácio deixou mais de quatro metros da parte frontal do terreno livres para evitar a demolição de sua casa numa eventual tentativa de alinhar a rua, por parte do poder público. A cerca da casa é de madeira. Ele não construiu muro porque está ciente da irregularidade nos alinhamentos e aguarda providências da prefeitura.

A vizinha Geralda Rodrigues de Alcântara diz que a medição feita recentemente pela prefeitura difere daquela que o loteador fez anteriormente em seu lote. Por isso, ela pode perder alguns metros na parte da frente do terreno.

Geralda mora desde 1979 no local e diz que quando o bairro foi entregue não havia nem água e nem iluminação pública. “Não tinha nada”, reforça.”

Terezinha Kovalet acredita que a Prefeitura de Bauru deve indenizar as pessoas cujas casas estão sobre a via pública. Ela diz que as falhas do loteador resultaram também em sobra de terreno no meio do quarteirão em que mora.

O caso de Rita de Cássia Moreira de Almeida é grave. Ela mora em um terreno que foi vendido a ela e a outra pessoa. “Paguei com recibo e não recebi a escritura. Depois de 28 anos, a mulher que está com a escritura está pedindo o terreno de volta”, expõe.

Como o antigo dono do lote morreu, Rita entrou na Justiça. “Ela queria que a gente saísse daqui de um dia para outro. Não temos condições”, diz a dona de casa, que tem um filho.

Rita conta que seus vizinhos têm problemas semelhantes e também acionaram o Judiciário. “A maioria dos terrenos aqui é enrolada. O homem era dono de vários terrenos e vendeu para várias pessoas. Ele enganou muita gente. Depois ele morreu e sobrou o problema.”