09 de julho de 2026
Geral

Menor de rua busca ajuda para família

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A pobreza e a falta de trabalho para os pais são os principais fatores que impulsionam a criança e o adolescente a ir para as ruas de Bauru. Cerca de 50% deles saem de casa em busca de uma renda para ajudar a família, seja pedindo dinheiro ou prestando pequenos serviços. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE) em maio deste ano.

Para solucionar o problema dos 66 menores pesquisados é preciso programas para atender suas famílias, explica Egli Muniz, coordenadora da pesquisa.

Os menores de rua pertencem a famílias miseráveis, analfabetas ou semi-analfabetas que, sem qualificação, não conseguem emprego e nem trabalho esporádico, conta Egli. “Para superar esta situação seria preciso um programa que abrangesse a família como um todo - nas áreas de educação, saúde e assistência social”, afirma.

A pesquisa da ITE será usada para delinear as políticas públicas de assistência ao menor, afirma o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Rivaldo Alfredo Paccola. “Nós vamos cruzar os dados com os da secretarias do Bem-Estar Social, Educação e Saúde. Quando os dados estiverem informatizados vamos desenvolver um programa em rede para atendimento integral”, promete.

Para inserir as famílias dos meninso de rua na sociedade, elas precisam ter renda mensal. “A família desse menor tem que ser tratada e nesse período seria necessário que tivesse uma renda mínima para sobreviver com dignidade”, ressalta Egli.

Mais de 80% dos 66 pesquisados garantiram que exercem algum trabalho na rua. Quase 50% dos meninos de rua pesquisados disseram que entregam às suas famílias o que ganham.

“Os dados confirmam o estudo de 2000, que constatou que 52% trabalhavam nas ruas para levar o dinheiro às famílias”, lembra Egli. A maioria dos menores pesquisados disse ganhar de R$ 5,00 a R$ 10,00 por dia.

Ela ressalta que muitos pais obrigam e outros incentivam os filhos pequenos a buscar dinheiro na rua. “Eles não têm muita noção do mal que estão fazendo. Na rua, a criança está exposta a uma situação de risco”, alerta. “Eles acabam envolvendo-se com drogas e prostituição”, completa.

A miserabilidade vivida pelas famílias influência na evasão escolar, frisa a coordenadora da pesquisa. “Mais de 30% dos pesquisados afirmam que não freqüentam a escola para trabalhar; 21,1% deixam a escola porque não gostam, 15,8% por mudança de bairro e os demais 5,3% alegaram não existir vaga nas escolas. Outros 5,3% contaram que foram expulsos da escola e um percentual igual apontou problemas familiares”, diz.

A pesquisa mostrou que boa parte dos meninos que ficam nas ruas mora na região do Parque Jaraguá e Núcleo Fortunato Rocha Lima. “Percebe-se a predominância de moradores das regiões noroeste e oeste da cidade, área onde grande parte da população se encontra em situação de pobreza”, diz Egli.

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Atividade

• l39,4% dos menores guardam carros

• l15% são engraxates

• l12,1% entregam panfletos

• l12% são vendedores

• l9,1% são pedintes

• l6,1% são catadores de reciclável

• l3% são pedintes e guardadores de carro

• l1,5% é engraxate e guardador de carro

• l1,5% não faz nada

Fonte: pesquisa da ITE

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Faixa etária

• l3% dos menores pesquisados têm entre 4 e 6 anos

• l28,8% têm entre 7 e 11 anos

• l23% têm entre 12 e 14 anos

• l21% estão na faixa dos 15 e 17 anos

• l1,5% tem mais de 17 anos

Fonte: pesquisa da ITE