Eu já observei e ouvi vários tipos de preconceito, mas até aqui eu era a terceira pessoa da história, que por muitas vezes saí em defesa de quem não podia ou não conseguia defender-se só. Nunca aceitei que as pessoas possam ser julgadas superiores ou inferiores pela cor de sua pele, religião, raça, grau de instrução, condição social, sexo ou pela sua opção sexual, e pela sua idade. Eu nunca havia sentido na pele a descortesia do preconceito. Mas agora, aos 41 anos, senti. Foi percorrendo agências de emprego e lendo os classificados de emprego. É explícito. São oferecidas vagas com as qualificações profissionais exigidas e até “35 anos”, eu buscava uma vaga na área administrativa. Creio que se as minhas qualificações profissionais estiverem dentro do exigido pela empresa, tenho o direito de pelo menos passar pelo teste e entrevista, e só então ser recusada. Estive em uma determinada agência em que a pessoa que me atendeu se desculpava, pelo fato de que a vaga era para candidata até 35 anos, e que mesmo não aparentando os meus adoráveis 41 anos, ela não poderia me encaminhar para vaga de auxiliar de escritório. A minha resposta ao indivíduo foi: se for para lidar com papéis e computador eu me garanto, mas se for para colocar um biquíni e desfilar pelo escritório realmente não dá para mim. Não vim buscar a vaga de modelo. Este tipo de preconceito fere a Constituição Federal no art. 5, Direitos e Deveres, inciso XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Acredito realmente que os políticos tenham que criar políticas públicas para a igualdade de direitos e deveres em todos os segmentos da sociedade, e mostrar para os países “desenvolvidos”, que não somos somente o País do samba e futebol, mas sim o País de um povo de liberdade e justiça social. (Mariluci Lombardi - RG 13.733.107)