Prezado Osmair Crespi. Em resposta aos seus questionamentos em “funcionário público x reforma da Previdência”, publicados no último dia 16, nesta coluna, venho me solidarizar com você, primeiro no que diz respeito à minha assiduidade em relação aos impostos que pago e vêm descontados incondicionalmente em meu contra-cheque, e segundo em relação à máxima: “Quando você colocar o que fazer, diga antes como e com quem”.
Quando ingressei no serviço público há vários anos, fiz uma opção e abri mão de alguns benefícios que possuía na iniciativa privada, como direito a FGTS, amparo na legislação trabalhista, e não necessidade de dedicação exclusiva, como ocorre no serviço público, por exemplo. E o governo que me contratou estabeleceu que ao me aposentar eu receberia meus vencimentos integrais, desde que contribuísse com uma percentagem aplicada sobre o total dos meus vencimentos, ao contrário do que sempre ocorreu na iniciativa privada, onde o trabalhador contribui com um percentual sobre o máximo valor fixado pelo sistema geral da previdência, hoje calculado em R$ 171,77 (teto de contribuição igual a R$ 1561,56).
Ao mesmo tempo, como você sabe, os valores que ingressam no caixa da previdência não são e nunca foram utilizados unicamente para o custo do sistema previdenciário, e são também utilizados pelo governo para outras finalidades, como construção de obras, por exemplo, muitas vezes de caráter eleitoral. Outra coisa, o governo não contribui para o sistema previdenciário, embora seja obrigado constitucionalmente, como o faz os empresários da iniciativa privada.
Concordo com você que a nossa expectativa de vida, felizmente, esteja cada vez mais alta, e é justo que os trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público venham a se aposentar com maior idade, no entanto, não é justo que o governo tente jogar a culpa do déficit da previdência unicamente sob os ombros dos servidores públicos, taxando a todos de marajás, vagabundos ou privilegiados, jogando-os contra a opinião pública.
Veja bem, até você se voltou contra nós, e é fácil saber porque: os funcionários públicos são responsáveis pela prestação de serviços essenciais do governo, como saúde, educação, segurança, justiça, e até previdência, e é toda a população, principalmente a mais carente, que se utiliza deles. Pois então, a nossa única voz é a busca do direito de greve insculpido na nossa Constituição, pois nessa hora o governo, através dos meios de comunicação, coloca todos contra os servidores públicos. E não se iluda se o governo se voltar contra os seus direitos trabalhistas, você fará o mesmo. E, certamente, serão as entidades organizadas do serviço público as primeiras a te defender. (Nilton Palomo Melo - RG 6.516.312)