Este mês, a Academia Bauruense de Letras (ABL) está completando dez anos de existência. Composta por 44 membros , a instituição busca preservar a língua portuguesa e a literatura por meio de eventos culturais e divulgação dos trabalhos dos acadêmicos desenvolvidos nas áreas de verso, prosa, ensaio, conto e trova.
Para comemorar seu aniversário - festejado no último dia sete -, a Academia preparou uma programação especial, que começa amanhã e vai até sábado, incluindo palestras, apresentação de trovas e poesias e exposição de obras literárias, entre outros eventos.
A acadêmica Vânia de Figueiredo, coordenadora dos eventos relacionados ao aniversário da ABL, conta que o objetivo é divulgar as atividades realizadas pela instituição. “A intenção é popularizar a Academia, realizando festejos que agradem a todos, para que a população possa saber da nossa existência “, diz.
Além disso, a ABL pretende distribuir 500 exemplares do “O Desafio”, jornal produzido há vários anos pela instituição. Desta vez, a 18.ª edição apresenta textos relacionados à comemoração aos dez anos da entidade.
História
Fundada em 1993, a ABL teve sua primeira reunião realizada na residência da professora Celina Lourdes Alves Neves, uma das fundadoras da instituição e a primeira a presidi-la. Contando com uma eleição bienal interna para a escolha da diretoria - a próxima será realizada em novembro deste ano - os membros da Academia são escolhidos por indicações de outros integrantes para fazer parte da casa.
A secretária geral da ABL, Josefina de Campos Fraga, explica que os acadêmicos não precisam, necessariamente, ter formação universitária. “Nós temos, inclusive, alguns membros que são autodidatas, como o Luiz Barbosa, conhecido por ‘poeta pedreiro’. Ele tem uma poesia e um português de nível elevado”.
Presidida atualmente por Munir Zalaf, a Academia reúne, escritores, poetas, trovadores e pessoas ligadas à literatura de Bauru e de outras cidades brasileiras, que ocupam, ao todo, 44 vagas em diferentes categorias.
Como acontece na Academia Brasileira de Letras, cada cadeira da entidade local recebe o nome de uma personalidade famosa na literatura brasileira. Entre os patronos da ABL estão nomes como o do poeta Rodrigues de Abreu, o educador José Aparecido Guedes de Azevedo e o dramaturgo Mauro Rasi, entre outros.
Embora possua 80 cadeiras disponíveis, somente um pouco mais do que a metade das vagas da Academia estão ocupadas. Segundo Fraga, que já foi presidente da ABL por duas vezes, apesar da instituição reunir personalidades de destaque local e também de outras cidades, ela pode não agradar a todos os literários.
“Instituições como a ABL são bastante controversas, porque existem pessoas importantes no meio da literatura que acham que a ABL é uma associação muito fechada e até ultrapassada”, aponta. “Existem outras pessoas que não têm tempo necessário ou disponibilidade para estar participando das reuniões”, avalia a atual secretária geral.
De acordo com Fraga, os membros da instituição são divididos em quatro categorias. A principal é composta por 28 membros efetivos, que têm que ser, necessariamente, bauruenses. “O acadêmico efetivo tem uma responsabilidade muito grande. Normalmente, ele ocupa os cargos da diretoria ou comissões, além disso, deve ter boa freqüência nas reuniões e pagar uma contribuição mensal à instituição”, explica.
Outra categoria é a dos membros honorários, pessoas que têm representatividade e se destacam em alguma área de conhecimento, como o superintendente do Centrinho, José de Souza Freitas (Tio Gastão) e o escritor de livros espíritas, Richard Simonetti. “Mauro Rasi e Mário Lago, que já faleceram, também eram membros honorários”, revela Fraga.
Os literários que se interessam pelo trabalho da ABL, mas não residem em Bauru, integram a terceira categoria, a dos membros correspondentes. Nessa classe está, por exemplo, o jornalista Lucius de Mello. A Academia ainda possui seus membros agregados. “Uma vez acadêmico, a pessoa nunca deixa de ser acadêmico. Quando algum membro não possui condições de freqüentar as reuniões, ele pode pedir uma mudança de categoria e se tornar um agregado. O número de vagas nessa classe é ilimitado”, esclarece a secretária geral.
Importância
Tendo como principal enfoque a preservação da literatura, a ABL desenvolve discussões de práticas literárias, além de promover e participar de concursos do gênero. Outro objetivo da instituição é incentivar pessoas que não sejam acadêmicos a apresentar suas obras. “Procuramos fazer com que os autores tirem de suas gavetas os seus sonhos que estão escritos para transformá-los, possivelmente, em publicações”, aponta Zalaf.
Para o presidente da ABL, a Academia desempenha uma função sócio-cultural na cidade. “Ela é o canal da cultura, despertando o entusiasmo pelas letras”, diz, enfatizando que o número de acadêmicos evoluiu muito. Há dez anos eram apenas oito.
Outro ponto forte da ABL é sua produção literária, que inclui mais de 60 livros publicados, reunindo obras premiadas no Brasil e também no Exterior. “A acadêmica Isolina Bresolin Vianna, por exemplo, tem vários livros publicados, a Marina Monteiro Cardoso, especialista em literatura infantil, tem mais de 60 obras”, diz Zalaf, lembrando que muitos membros da instituição lançaram dezenas de livros técnicos que não entram na contagem de obras da ABL.
A Academia também tem a sua “Antologia Literária”, lançada em 2001 e que reúne textos de quase todos os acadêmicos. O segundo volume está previsto para ser lançada ainda este ano, de acordo com o presidente da instituição.
Sede
Entretanto, apesar de contar com uma expressiva produção literária, a ABL ainda não possui uma sede. As reuniões, agendadas para toda segunda quarta-feira do mês em espaços cedidos por terceiros, vêm se realizando, atualmente, na biblioteca da Secretaria Municipal de Cultura.
Zalaf explica que há falta de recursos, já que a Academia sobrevive com a contribuição dos próprios membros. “Além das reuniões, precisaríamos de uma sede para abrigar a nossa biblioteca e, eventualmente, para a realização dos nossos recitais de poesia e palestras”, aponta o presidente. “A nossa intenção, com a sede, é criar um centro cultural”, adianta Zalaf, ressaltando que, devido a falta de espaço físico, guarda cerca de 150 livros da ABL em sua casa.
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Programação de aniversário
• De 21 a 26 de julho - Exposição de obras, troféus e fotos dos membros da Academia Bauruense de Letras nas vitrines da Livraria Jalovi - unidades Centro e Altos da Cidade.
• Dia 21 de julho, às 20h - “Noite dos Trovadores”, no Espaço Cultural Yázigi, rua Bandeirantes, 6-5.
• Dia 22 de julho, às 20h - Palestra “Antologia Pessoal”, do escritor e doutor José Fernando Mafra Carbonieri, no auditório “Helvécio Barros” do Centro Cultural, avenida Nações Unidas, 8-9. Entrada franca.
• Dia 23 de julho, às 20h - Homenagem da USC à Academia, com apresentação do Coral Veritas, no Teatro Veritas. Entrada franca.
• Dia 24 de julho, às 20h - Palestra “Os Fundamentos da Semiótica na Linguagem Humana”, do professor e doutor Adenil Alfeu Domingos, no auditório “Helvécio Barros”, no Centro Cultural, avenida Nações Unidas, 8-9. Entrada franca.
• Dia 25 de julho, às 20h - Jantar comemorativo no salão da Associação Luso-Brasileira.
• Dia 26 de julho, às 10h - Homenagem da Livraria Jalovi aos acadêmicos e familiares na unidade Altos da Cidade. Entrada franca.