Domingo, 6 de julho, (JC, pág. 2), o jornalista Zarcillo Barbosa atingiu o âmago do impasse agrário que envolve o MST. Como proceder a reforma criando pequenas propriedades se, no mundo moderno, “o agronegócio só é possível hoje mediante cultura de extensão”? “Na Europa, pequenos lavradores conservam suas terras porque ganham para não plantar”, adverte o articulista. O espaço aqui é pequeno, mas, para Zarcillo, o cerne do problema está na criação de nossa República que “perdeu a oportunidade de ser instrumento de justiça social quando no seu nascedouro, empurrada pelas reivindicações sociais acabou unificando o feudalismo rural com os militares conservadores e a Igreja reacionária ao pensamento positivista”. Acrescento também que o Federalismo copiado dos norte-americanos foi outro pecado capital no que concerne a atuação governamental. Lá, Estados independentes uniram-se, delegando algumas de suas competências para que se formasse a União. Aqui, um governo central delegou aos Estados membros algumas de suas competências que criaram uma repartição imperfeita de recursos. Assim, vivemos em eterna reforma tributária e, enquanto isso, governadores e prefeitos, com o chapéu na mão, continuam dependendo de recursos da União. Parabéns Zarcillo, pois as questões políticas e sociais não devem ficar somente focadas nos fatos que as envolvem. O passado histórico e seus erros poderão indicar caminhos mais seguros para atingirmos objetivos. (Irineu Azevedo Bastos - RG 7.285.121)