A falta de tempo é um drama dos tempos modernos porque as pessoas vão deixando de pertencer a si mesmas transformando-se em escravas de compromissos diversos. A velha máxima americana que diz que “tempo é dinheiro” transformou-se num preconceito que dificulta a solução do problema da falta de tempo que aflige tantos seres humanos. Na verdade, a realização do sonho de liberdade individual do ser humano deveria, hoje, começar por aí: liberar-se da escravidão imposta por compromissos e pela má administração da vida.
Há muitos fatores que levam à perda de tempo; um, no entanto, é o principal: perde-se tempo quando não se pensa, quando se age mecânica e rotineiramente seguindo os pensamentos e idéias pensadas por outras pessoas.
Esta função, a de pensar, entorpecida que tem sido por preconceitos, crenças e idéias retrógradas, deve ser ativada em função de um grande objetivo que norteie a vida do ser humano nesta breve passagem pela Terra: evoluir e colaborar com os outros seres humanos neste sentido. Para a Logosofia “o tempo é a essência oculta da vida”; compreendê-lo e administrá-lo inteligentemente, livrando-se da tirania dos ponteiros do relógio, é uma tarefa cujos resultados são infinitamente superiores ao esforço empreendido. Dizer que tempo é dinheiro é tão absurdo como imaginar que Deus seja um banqueiro.
A fuga do tempo existe para quem não consegue retê-lo e multiplicá-lo. Neste caso, os ponteiros do relógio representam uma tortura constante. Não há tempo suficiente para o cumprimento dos compromissos e das obrigações. O tempo passa muito rápido e escraviza a pessoa que julga que tempo seja dinheiro, e , como tal, sempre lhe falte. Os dias que se sucedem monotonamente são noites mentais, pedaços de vida que se desprendem da pessoa deixando o saldo do vazio interior, a sensação de inutilidade, o esquecimento, o temor pela morte que caminha em sua direção a passos largos (...).
Os tempos de evolução caracterizam-se pelo esforço continuado na busca do conhecimento e a conseqüente ampliação da consciência. Para aproveitar o tempo, conscientemente, é necessário aprender a pensar; a produzir soluções luminosas para os problemas individuais e coletivos que vive o homem de hoje.
Administrar bem o tempo significa acumulá-lo dentro de si; ser consciente daquilo que se viveu e ter um plano para a vida futura. Ter um domínio sobre si mesmo e um objetivo definido para a vida que se está vivendo; todos os atos e pensamentos imantados por um grande objetivo que abarque o aperfeiçoamento individual e coletivo da espécie humana. Significa, antes de tudo, encarar a vida como um grande campo experimental de aprendizado e realização. Tempo é vida e pode ampliar-se indefinidamente independente do monótono movimento dos ponteiros do relógio. (O autor, Nagib Anderáos Neto, é colaborador do JC - www.logosofia.org.br)