Aproximadamente 5% dos cerca de 5 mil alunos de Bauru que recebem o Bolsa-Escola já tiveram o benefício suspenso temporariamente por faltar em mais de 15% das aulas dadas. Porém, o índice de freqüência escolar dos alunos da cidade cadastrados no programa é considerado bom, afirma João Paulo Castilho Herrera, coordenador do Bolsa-Escola em Bauru.
Ele explica que normalmente o aluno volta a freqüentar mais de 85% das aulas no mês seguinte ao da suspensão do benefício, o que lhe permite receber o dinheiro no outro mês - R$ 15,00 por mês. “Os pais ficam preocupados quando ficam sabendo que o filho está faltando da escola porque têm medo de não receber o Bolsa-Escola”, afirma.
Herrera conta que as análises dos relatórios de freqüência e as conversas com os diretores de escolas apontam que o programa está atingindo o seu objetivo, que é a permanência do aluno na escola. Seguundo ele, Bauru já enviou ao Ministério da Educação (MEC) as listas de freqüência. As prefeituras têm até sexta-feira para entregar a documentação sob risco dos alunos perderem o benefício.
Neusa Elisa Sposito, membro da comissão do Conselho Municipal de Educação encarregada de fiscalizar o programa em Bauru, confirma que o Bolsa-Escola realmente está incentivando os alunos a freqüentarem as aulas. “Não importa o que a família faz com o dinheiro. O que importa é a permanência do aluno na escola”, frisa.
O Bolsa-Escola foi implantado pelo MEC em 2001 para ajudar as famílias carentes a manter seus filhos na escola. Em todo o País, o programa beneficia 8,3 milhões de alunos até 15 anos. As famílias recebem o dinheiro através de um cartão magnético diretamente nas agências da Caixa Econômica Federal (CEF).
Herrera frisa que há escolas que o índice de suspensão por baixa freqüência não passa de 1%. “Na escola Ayrton Busch, no último trimestre analisado, nenhum dos 588 alunos inscritos no programa teve o benefício suspenso”, relata. “Na escola Ada Cariani Avalane, onde existem 144 alunos inscritos, em apenas um mês dos últimos três analisados houve suspensão do benefício e apenas para 1% dos atendidos”, completa.
A empregada doméstica Eva Maria da Silva, mãe de dois alunos beneficiados pelo programa, conta que os R$ 30,00 que recebe por mês ajuda muito a família. “Agora que eu e meu marido estamos trabalhando, eu uso o dinheiro para comprar uniforme, cadernos e lápis para eles. Mas quando nós dois estávamos desempregados, até comida eu comprei com o dinheiro”, relata.
Para Eva, o dinheiro do Bolsa-Escola ajuda a incentivar o aluno a não faltar na escola. “Os meus filhos sempre foram à escola, mas agora ficam até mais empolgados porque graças ao dinheiro do Bolsa-Escola posso comprar aqueles cadernos grandes que os outros meninos usam. Eles não gostam dos cadernos pequenos e sentiam-se até meio envergonhados “, frisa.
A evolução do desempenho escolar dos alunos atendidos pelo Bolsa-Escola só será avaliada no final deste ano, segundo a assessoria de imprensa do MEC. Cerca de 50 mil dos mais de 8 milhões de alunos beneficiados pelo programa vão ter os conhecimentos verificados pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Dirce Maria Rodrigues Ferraz, vice-diretora da escola estadual Ayrton Busch, que tem 588 alunos cadastrados no programa, aprova a avaliação. Por enquanto, explica ela, não há dados que permitam quantificar o desempenho dos estudantes do Bolsa-Escola. “A única análise que podemos fazer até agora é que os pais estão mais preocupados com a freqüência dos filhos na escola. Há casos de mães que chegam à escola apavoradas com a possibilidade de deixar de receber o benefício”, conta.
Em Bauru o cadastro para o programa foi feito em 2001 e a lista de interessados está sendo usada para ocupar as vagas novas, que surgem pelo desligamento dos alunos que completam 16 anos, o que é automático. “Na época do cadastro, o número de inscritos foi maior que o de bolsas”, conta Herrera.